AP Photo/Evan Vucci
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Advogados de Trump tentam impedir publicação de livro sobre seu governo

Em uma carta de 11 páginas, advogados do presidente ameaçaram processar o jornalista Michael Wolff e a editora Henry Holt, que publicará a obra 'Fogo e Fúria: por dentro da Casa Branca de Trump'; livro já o mais comprado antecipadamente na Amazon

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 15h17
Atualizado 05 Janeiro 2018 | 03h07

WASHINGTON - Advogados do presidente americano Donald Trump pediram nesta quinta-feira, 4, a suspensão da publicação e distribuição de um livro sobre seu primeiro ano de governo.

Advogados de Trump ameaçam processar Bannon após declarações contra assessores do presidente

A divulgação nesta semana de trechos da obra motivou o rompimento público de Trump com o ex-chefe de Estratégia da Casa Branca, Steve Bannon, a quem Trump acusou de ter "perdido a cabeça" por acusar assessores e parentes do presidente de traírem o país.

Pelo Twitter, Trump disse que o livro está "cheio de mentiras". "Não autorizei nenhum acesso à Casa Branca (na verdade, disse 'não' a ele várias vezes) ao autor deste livro falso! Nunca falei com ele para o livro. (O livro está) cheio de mentiras, falsas declarações e fontes que não existem. Olhem o passado desse rapaz e vejam o que acontece a ele e a Sloppy Steve!", disse o líder americano referindo, neste último nome, a Bannon.

Em uma carta de 11 páginas, os advogados do presidente ameaçaram processar o jornalista Michael Wolff, autor de Fogo e Fúria: por dentro da Casa Branca de Trump (em tradução livre), e a editora Henry Holt & Co., que publica a obra. 

"O senhor Trump exige que se interrompa e evite qualquer publicação, divulgação ou distribuição do livro. Além disso, pede que os responsáveis publiquem uma retratação plena e completa, bem como um pedido de desculpas", indica o advogado de Trump, Charles J. Harder.

O livro, que já circula nas redações dos principais veículos da imprensa americana, tem como base cerca de 200 entrevistas com funcionários do governo americano e retrata uma Casa Branca submersa em uma caótica e permanente guerra interna ao longo do ano passado.

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"Além disso, por favor envie imediatamente uma cópia eletrônica do livro (...) e por mensageiro uma cópia física para este escritório para que possamos avaliar adequadamente as declarações contidas", disseram os defensores de Trump.

Apesar da ameaça de ação legal, o autor do livro, Michael Wolff, publicou nesta quinta-feira um longo artigo na edição eletrônica da revista Hollywood Reporter no qual, desde o título, deixa clara sua opinião sobre o que viu: "Meu ano na louca Casa Branca de Trump".

O livro de Wolf estava previsto para chegar ao mercado apenas na próxima semana, mas com o escândalo envolvendo o presidente e seu ex-conselheiro a obra já se transformou na mais vendida de forma antecipada na versão americana do site de compras Amazon.

Bannon e o silêncio

A divulgação, na quarta-feira, de fragmentos do livrou provocou um espetacular rompimento de Trump com o controvertido Bannon, que foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do republicano e, durante pouco mais de um semestre, foi o chefe de estratégia do governo americano.

Bannon, que renunciou em agosto, deu declarações explosivos a Wolff que estão contidas no livro. Entre outras coisas, o ele afirma que o filho mais velho de Trump "cometeu traição" por seus contatos com pessoas próximas ao governo da Rússia durante a campanha e por seus dúbios negócios. As acusações deixaram Trump furioso.

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Em uma dura nota oficial, Trump disse que Bannon "perdeu a cabeça" desde que foi demitido da Casa Branca por ter vazado "notícias falsas" para a imprensa.

Advogados de Trump também enviaram uma notificação a Bannon alertando que ele pode ser processado pelo presidente por violar um acordo de confidencialidade depois de deixar a Casa Branca. / AFP

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