Advogados escolhem candidato para desafiar Musharraf

Conforme eleições se aproximam no Paquistão, aumenta a repressão do governo contra oposicionistas

Agência Estado e Associated Press,

24 de setembro de 2007 | 14h44

Advogados paquistaneses anunciaram nesta segunda-feira, 24, a escolha de um candidato para desafiar a tentativa de reeleição do presidente Pervez Musharraf, em meio à intensificação da crise política no país asiático. Wajihuddin Ahmad, um ex-juiz da Suprema Corte, é até agora o único desafiante de Musharraf nas eleições presidenciais indiretas de 6 de outubro. O presidente será escolhido por um colégio eleitoral formado por senadores e deputados federais e provinciais. A polícia, por seu lado, intensificou nesta segunda-feira uma campanha de detenção de oposicionistas enquanto a Suprema Corte rejeitava três ações contra a intenção do presidente militar de buscar a reeleição. A Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad qualificou a repressão como "extremamente perturbadora" e exortou a libertação imediata de centenas de oposicionistas presos desde sábado à noite. O governo alega que eles foram detidos para evitar possíveis distúrbios. As críticas dos EUA foram incomumente duras, considerando-se que a administração Bush tem representado a maior fonte de apoio ao general Pervez Musharraf, um aliado-chave de Washington em sua guerra contra o terrorismo. "Notícias de prisões de líderes de diversos partidos políticos paquistaneses são extremamente perturbadoras e causadoras de questionamentos entre os amigos do Paquistão", informou a embaixada por meio de um comunicado. "Desejamos expressar nossas sérias preocupações sobre esses desdobramentos. Esses detidos devem ser libertados o mais rápido possível", diz o documento. A embaixada fez questão de frisar que não respalda nenhum candidato ou partido. "Esperamos ver um processo democrático que seja inclusivo e a eleição de um líder que represente a escolha do povo presidente paquistanês por meio de um processo, livre, justo e transparente", diz o documento. Defesa do governo O vice-ministro da Informação do Paquistão, Tariq Azim, defendeu as detenções. "Nenhum governo pode permitir que turbas assaltem o prédio da Suprema Corte, intimidando juízes que estudam um caso constitucional muito importante, ou para ameaçar sitiar o prédio da Comissão Eleitoral e rasgarem fichas de inscrição no dia que são preenchidas", afirmou ele à Associated Press. O painel de nove juízes da Suprema Corte ainda considera sete outras petições argumentando que o duplo papel de Musharraf como comandante do Exército e presidente o tornam inelegível para um novo mandato de cinco anos. Musharraf promete renunciar ao comandando militar caso seja reeleito em 6 de outubro. A polícia deteve meia dúzia de líderes oposicionistas na noite de sábado em Islamabad e emitiu ordem de prisão contra cerca de 30 outros. Na noite de domingo, a repressão foi estendida para lideranças menores, sendo que pelo menos 220 oposicionistas teriam sido presos, segundo seus partidos. "O governo está disposto a deter todos os oposicionistas", disse Ahsan Iqbal, porta-voz do partido do ex-premier Nawaz Sharif. "Todas as táticas fascistas estão sendo usadas e toda a máquina estatal está sendo explorada pelo regime ilegítimo de um único homem." Aglomerações proibidas O governo tornou ilegal aglomerações de mais de cinco pessoas na capital. Ruas levando à corte foram bloqueadas hoje com arame farpado. Policiais, alguns em cavalos, usaram a força para evitar aglomerações perto da corte, tendo prendido nesta segunda-feira cerca de 30 pessoas. "O governo dos EUA contratou um cão de uniforme", gritavam os manifestantes, referindo-se à aliança de Musharraf com Bush. Também nesta segunda-feira, o juiz Rana Bhagwandas rechaçou três petições contra a tentativa de reeleição de Musharraf, uma porque não cumpriu prazos, outra porque o advogado não apareceu e a terceira sem explicar os motivos. Qazi Hussain Ahmad, líder de uma coalizão de seis partidos islâmicos e uma das partes na petição, disse que os senadores de seu bloco não irão renunciar ao mandato como ameaçaram anteriormente. Eles decidiram apoiar a candidatura do ex-juiz Ahmed. A votação do dia 6 de outubro será realizada pelos atuais parlamentares da assembléia nacional e das assembléias legislativas eleitos em 2002 e cujos mandatos expiram em 15 de novembro.

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