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Advogados protegem centros eleitorais na Flórida com medo de fraudes

Observadores republicanos e democratas tentam dissipar desconfiança em relação ao processo eleitoral

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 03h00

MIAMI - Centenas de advogados e voluntários das campanhas do presidente Donald Trump e seu adversário democrata, Joe Biden, estão mobilizados em centros de votação na Flórida para dissipar o medo de fraude, em um momento em que o Estado do sudeste americano mostra números recorde de participação.

"Não podemos confiar nestes democratas", disse à Agência France Press o americano de origem brasileira Cristiano Piquet, eleitor republicano, em um centro de votação antecipada em Miami a duas semanas das eleições presidenciais de 3 de novembro.

"Eles demonstraram mais de uma vez que não são honestos. São pura maldade e são capazes de tudo. Tenho que me assegurar de que meu voto vai contar", acrescentou o homem, de 43 anos, que levava uma bandeira americana, ao contar porque votou antecipadamente e não pelo correio.

Este é o tipo de sentimento que o advogado Juan Carlos Planas, um dos 1.421 observadores registrados pelos dois partidos no condado de Miami-Dade, sul da Flórida, tenta dissipar. 

"Nunca houve um caso sólido de fraude em uma eleição geral", afirmou à Agência France Press o advogado, ex-representante estadual dos republicanos, que foi observador em eleições passadas e agora o faz para o Partido Democrata. "E muito menos uma fraude maciça. Simplesmente não acontece", insistiu. 

Os 14 milhões de eleitores da Flórida podem votar por correio, método usado no Estado desde 2002 e preferido pelos democratas, sobretudo este ano por causa da pandemia. 

No entanto, Trump transmitiu a seus seguidores a desconfiança em relação a este sistema, embora ele mesmo vote por correio na Flórida, onde tem residência oficial, e tenha dito que neste Estado o método é, sim, confiável. 

Os eleitores do Estado também podem votar antecipadamente nas seções que abriram na segunda-feira, como fez Piquet, ou no próprio 3 de novembro, quando se espera que os republicanos vão votar em massa. 

Clima tenso

Mas no tenso clima político que os Estados Unidos vivem, onde se juntam o medo da violência nas seções eleitorais aos de contágio pelo novo coronavírus, a Flórida soma um histórico de eleições muito disputadas que historicamente acabaram em recontagens ou nos tribunais. 

No ano 2000, uma diferença de apenas 537 votos deu a Presidência - de forma muito polêmica - a George W. Bush. Em 2018, foi preciso voltar a contar votos para dar o governo a Ron DeSantis. E em 2016, segundo o FBI, a Inteligência russa hackeou o sistema eleitoral de pelo menos um condado da Flórida. 

E o que ocorrer aqui é vigiado muito de perto porque este Estado, onde Trump e Biden estão praticamente empatados, é crucial para vencer as eleições, ao aportar 29 dos 270 votos do Colégio Eleitoral necessários. 

À incerteza se somam alguns casos de intimidação, como se viu em outras partes do país. 

Na terça-feira, houve polêmica com a circulação da foto de um policial usando uma máscara com a inscrição "Trump 2020" em um centro de votação. A polícia de Miami destacou em seguida que o agente tinha "violado a política do departamento" e que medidas seriam tomadas. 

Também na terça divulgou-se que os eleitores democratas da Flórida receberam e-mails, supostamente de parte do grupo extremista Proud Boys, onde os destinatários eram ameaçados: "Temos toda a sua informação (...) Vai votar em Trump no dia das eleições ou vamos te pegar". 

Na quarta-feira à noite, o diretor de Inteligência americano, John Ratcliffe, anunciou que os e-mails são oriundos da Rússia e do Irã e são um esforço "para intimidar eleitores, incitar a agitação social e danificar a imagem do presidente Trump".

Até agora, mais de 2,95 milhões de pessoas votaram pelo correio, segundo a Divisão de Eleições da Flórida. O número supera, faltando  duas semanas para as eleições, o total de 2,73 milhões de votos por correio de 2016. /AFP

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