Advogados voltam às ruas no Paquistão contra Musharraf

Líder do Supremo Tribunal afastado afirma que presidente rasgou Constituição; mais de 3.500 mil foram presos

Agências internacionais,

06 de novembro de 2007 | 08h01

Mais de mil advogados entraram em choque com a polícia paquistanesa nesta terça-feira, 6, contra a declaração do estado de exceção no Paquistão.  Veja também:Lei marcial no Paquistão realça fracasso de Bush, diz 'NYT'  Os advogados, uma das categorias mais críticas ao regime, se negaram a comparecer aos tribunais superiores das duas cidades em forma de protesto. Assim, a Justiça teve que suspender as suas atividades. Mais de 200 pessoas foram presas na segunda e outras 40 ficaram feridas nos protestos liderados pelos advogados em várias partes do Paquistão. Grupos de oposição disseram que mais de 3.500 pessoas foram detidas desde sábado, quando o presidente impôs o estado de emergência, citando a ameaça dos extremistas islâmicos ao país e a ingerência da Suprema Corte nos assuntos de Estado. Tanto a oposição como a maioria dos analistas e dos meios de comunicação paquistaneses acreditam que o general Musharraf - que chegou ao poder num golpe de Estado em 12 de outubro de 1999 - está tentando manter-se no comando. Mas em seu caminho havia uma ameaça: a Suprema Corte, que deveria pronunciar-se nos próximos dias sobre a validade de sua reeleição, pelos Legislativos regionais e nacional, em 6 de outubro. Segundo a Constituição, Musharraf não poderia ter concorrido sendo chefe do Exército. A maior parte dos juízes se encontra agora sob prisão domiciliar. Críticos afirmam que Musharraf impôs o estado de emergência para se precaver de uma possível decisão desfavorável da Suprema Corte. Segundo a BBC, o ex-presidente da Suprema Corte, Iftikhar Muhammad Chaudhry, convocou a população para um levante para restituir a Constituição. Chaudhry criticou a decisão do presidente Pervez Musharraf, e disse que a Constituição foi "cortada em pedaços", acrescentando que agora é o "momento para sacrifícios" O governo paquistanês promoveu como membros do Tribunal Supremo quatro juízes regionais, para completar o quadro da instituição, depois de a maioria dos seus integrantes rejeitar o estado de exceção imposto no sábado, informou o site do jornal Dawn.  Pelas normas em vigor, os magistrados do Paquistão devem tomar posse de seus cargos novamente antes de poder voltar a exercer as suas funções. Mas só cinco juízes dos 18 que formavam o Supremo aceitaram fazer parte do tribunal sob regime de exceção. Estados Unidos O presidente americano, George W. Bush, pediu nesta segunda-feira que o chefe do governo paquistanês decrete o fim do estado de emergência em vigor no país desde sábado e deixe o seu cargo militar de chefe das Forças Armadas. "Esperamos que eleições sejam realizadas lá o mais rápido possível e que o presidente tire o seu uniforme militar", disse Bush. O governo americano disse no domingo que vai rever a ajuda financeira destinada ao Paquistão, depois que o presidente paquistanês decidiu declarar estado de exceção no país. Musharraf justificou sua decisão de impor estado de exceção no país dizendo que extremistas estão à solta impunemente no Paquistão e que, se nenhuma ação firme fosse tomada, o país estaria em perigo. Segundo Musharraf, militantes islâmicos estão agindo como se tivessem um governo próprio no país, e o governo oficial foi quase paralisado pela interferência do Judiciário. O primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, afirmou nesta segunda-feira que as eleições parlamentares marcadas para meados de janeiro estão mantidas. Havia rumores de que o pleito poderia ser adiado em até um ano depois que Musharraf declarou estado de exceção no país no último sábado.

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