AEIA confirma enriquecimento de urânio a 20% no Irã

Informação da agência da ONU eleva suspeitas sobre fins do programa nuclear de Teerã

Associated Press

09 de janeiro de 2012 | 20h16

VIENA - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou nesta segunda-feira, 9, que o Irã iniciou o enriquecimento de urânio a 20%, um nível que pode rapidamente ser melhorado para que o material seja usado na produção de armas nucleares. O processo, segundo o órgão, é realizado em complexos subterrâneos.

 

Veja também:

lista Veja as sanções já aplicadas contra o Irã

especialESPECIAL: Tambores de guerra no Oriente Médio

especialESPECIAL: O programa nuclear do Irã

 

A confirmação da agência da ONU foi feita depois de fontes diplomáticas vazarem a informação de que o Irã mantém esse tipo de atividade nas centrífugas de Fordow, perto da cidade sagrada de Qom. O urânio enriquecido a 20% pode ser transformado em material para bombas atômicas com mais facilidade. A maior parte do urânio iraniano está enriquecidoa 3,5%.

 

"A AIEA confirma que o Irã iniciou a produção de urânio enriquecido a 20% na usina de enriquecimento de Fordow", afirma o comunicado da agência. O Irã já conseguia enriquecer urânio a este nível desde fevereiro de 2010 em um outro complexo, dizendo que precisa do material para fazer funcionar um reator usado no tratamento de câncer.

 

Dois diplomatas informaram - sob condição de anonimato - que 348 máquinas operam em Fordow. As centrífugas pareciam ser de gerações antigas, como as usadas em complexos como Natanz, e não modelos novos e avançados. As informações foram obtidas durante inspeções de agentes da AIEA.

 

A confirmação eleva novas suspeitas do Ocidente de que o Irã mantém o programa nuclear para a fabricação de armas atômicas. Teerã, porém, nega e afirma que enriquece urânio para fins civis, embora não permita inspeções integrais da AIEA em suas instalações. O país já sofru quatro rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU por causa do programa. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.