Companhia aérea argentina demite pilotos que deixaram modelo decolar avião

Vídeo de oito minutos mostra como celebridade argentina participa de manobra em voo entre Buenos Aires e Rosario

RODRIGO CAVALHEIRO, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2015 | 01h01

BUENOS AIRES - A companhia Aerolíneas Argentinas, que controla as operações da Austral, anunciou na noite desta quinta-feira, 25, que demitiu os dois pilotos do voo 2708, entre Buenos Aires e Rosario, no qual a modelo e atriz Victoria Xipolitakis assumiu o comando da aeronave por alguns segundos e iniciou a decolagem. A decisão foi tomada depois da divulgação de um vídeo filmado pela própria modelo, uma celebridade na Argentina por sair em revistas masculinas.

No vídeo, ela agradece a acolhida dos pilotos na viagem ocorrida segunda-feira, 25, e ressalta o fato de ter sido tratada "como uma piloto a mais", recebendo chá das aeromoças. Rindo, diz ter medo, pergunta se é seguro o que estão fazendo e cogita a possibilidade e de ser presa.

No começo da decolagem, em pé, Victoria acelera o avião com uma das mãos e os pilotos concluem a manobra. Diante da possibilidade de o grupo ser flagrado, um dos pilotos responde "se me afundo, vou com você". "Então você quer me levar com você?", ela responde. "Isso desde que você entrou no avião", conclui o piloto.

Além de demitir Patricio Zocchi Molina e Federico Matías Soares, a empresa prometeu fazer o mesmo com os demais funcionários que tiveram participação na entrada da passageira na cabine. "Serão iniciadas ações penais contra os mencionados e contra a passageira envolvida, em razão do artigo 190 do Código Penal, por colocar em risco a segurança do voo", disse a empresa em comunicado.

"Isso ultrapassa todo os limites que eu tenha visto na vida. Ela ocupa um espaço vital na cabine, conversando, com a luz ligada durante a decolagem, é um absurdo", disse o ex-piloto Enrique Piñeyro ao canal TN. 

O presidente da Aerolíneas, Mariano Recalde, pertencente ao grupo político La Cámpora, base militante do partido da presidente Cristina Kirchner, disse nunca ter visto algo semelhante na aviação. A pena prevista, segundo Recalde, é de 2 a 8 anos de prisão para quem coloca um voo em risco.

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