Aéreas dos EUA e da Europa cancelam voos para Tel-Aviv

As norte-americanas Delta Air Lines e United Airlines suspenderam o serviços entre Estados Unidos e Israel por tempo indeterminado

PRISCILA ARONE, COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS E DA DOW JONES NEWSWIRES, Agência Estado

22 Julho 2014 | 15h49

Num sinal de crescente cautela sobre voos em zonas de combate, companhias aéreas dos Estados Unidos e da Europa cancelaram nesta terça-feira seus voos para Tel-Aviv, depois de um foguete ter caído perto do aeroporto Ben Gurion.

As norte-americanas Delta Air Lines e United Airlines suspenderam o serviços entre Estados Unidos e Israel por tempo indeterminado. A US Airways cancelou seu único voo para Tel-Aviv nesta terça-feira. A alemã Lufthansa suspendeu todos os voos para Tel-Aviv por 36 horas, o que inclui as viagens feitas por suas subsidiárias Germanwings, Austrian Airlines e Swiss.

A francesa Air France também suspendeu seus voos até segunda ordem. A companhia disse que seu departamento de segurança continua a monitorar os acontecimentos em Israel.

A holandesa KLM, parte da Air France-KLM, também cancelou seu voo que partiria nesta terça-feira de Amsterdã para Tel-Aviv. "Estamos cancelando o voo em razão da falta de clareza da situação no aeroporto de Tel-Aviv", disse Robert Veldhuizen, porta-voz da KLM, que opera um voo diário com esta rota.

Seguindo a decisão de outras empresas, a Air Canada também decidiu interromper seus voos para Tel-Aviv, assim como a Air Berlin, que suspendeu os serviços para hoje e amanhã.

As decisões foram tomadas dias depois de um avião da Malaysia Airlines ter caído, supostamente após ter sido atingido por um míssil, no leste da Ucrânia, matando todos os 298 ocupantes da aeronave.

Após a medida adotada pelas aéreas norte-americanas, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) proibiu todas as empresas do setor do país de viajar para Tel-Aviv por 24 horas. A Agência de Segurança Aérea Europeia (EASA, na sigla em inglês) vai divulgar um boletim até quarta-feira que deve refletir a decisão da norte-americana FAA.

Os israelenses combatem militantes do Hamas na Faixa de Gaza pela terceira vez em cinco anos. A polícia israelense confirmou que um foguete disparado de Gaza caiu numa área perto do aeroporto. Segundo a porta-voz policial Luba Samri, o foguete desta terça-feira foi o que caiu mais perto do Ben Gurion desde o início do conflito, em 8 de julho.

Especialistas em aviação e em legislação disseram nesta terça-feira que as companhias aéreas estão agora assumindo a avaliação de risco em suas mãos, tanto no que diz respeito à segurança dos passageiros quanto para evitar que sejam consideradas negligentes.

O consultor de aviação Robert Mann disse que as companhias aéreas estão se tornando mais proativas após o desastre com o voo da Malaysia Airlines. "Isso está forçando cada empresa, cada operadora, a fazer sua própria avaliação de risco tendo em vista a situação geopolítica", afirmou ele.

Jonathan Reiter, importante advogado especialista em acidentes aéreos, disse que voar para um aeroporto após ele quase ter sido atingido por um foguete pode ser usado para mostrar que a companhia aérea é negligente. Isto explica por que as empresas estão suspendendo seus serviços para Israel.

"Eu tenho certeza de que há a preocupação humana também", disse Reiter. "Mas eu acho que as aéreas sentem que é inteligente pecar pela cautela, porque é seu ônus provar que estão fazendo todo o possível para evitar lesões e mortes."

O Ministério dos Transportes de Israel pediu que as companhias aéreas revertam suas decisões e afirmou que estava tentando explicar que o aeroporto é "seguro para pousos e decolagens". "O aeroporto Ben Gurion é seguro e completamente protegido. Não há razões de qualquer tipo para que empresas norte-americanas interrompam seus voos e premiem o terror", disse o ministério em comunicado.

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