Aeroporto de Paris restringe trabalho de muçulmanos

Mais de 70 funcionários muçulmanos do principal aeroporto da França, o Charles de Gaulle, tiveram retirados os crachás que permitiam livre acesso pelas dependências do local, por supostamente representarem um risco para os passageiros, de acordo com as autoridades. Os trabalhadores do aeroporto, inclusive carregadores de bagagem, teriam visitado "campos de treinamento de terroristas no Paquistão e no Afeganistão". Acredita-se que um deles tenha sido amigo de Richard Reid, um britânico condenado por planejar um atentado em 2001 contra um avião que seguia de Paris para os Estados Unidos, explodindo uma bomba oculta no salto do sapato. Discriminação Em meados deste ano, administradores do aeroporto Charles de Gaulle, no norte de Paris, realizaram uma revisão de segurança entre os funcionários e entrevistaram dezenas de trabalhadores muçulmanos. Mais de cem carregadores de bagagem e faxineiros de aeronaves estiveram sob vigilância por meses. Um total de 72 pessoas recebeu, depois, a informação de que seus passes, que permitiam acesso a áreas de segurança, foram retirados. Representantes do aeroporto dizem que alguns dos funcionários haviam visitado com freqüência o Paquistão e o Afeganistão no ano anterior. Acredita-se ainda que um outro funcionário tinha contato próximo com uma figura destacada de um grupo extremista argelino com ligações com a rede Al-Qaeda. Mas alguns dos homens que perderam seus crachás estão processando a direção do aeroporto, alegando que estão sendo discriminados por causa de sua religião. Cerca de uma dezena de outros funcionários que foram identificados como potenciais riscos à segurança ainda estão podendo circular em áreas de acesso restrito do aeroporto porque, pela lei francesa, eles têm direito a uma oportunidade para responder à acusações antes de serem suspensos.

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