EFE|Khaled Elfiqi
EFE|Khaled Elfiqi

Aeroporto no Sinai operava com falhas na segurança, dizem funcionários

Segundo pessoas encarregadas da segurança no local, aeroporto lidava com problemas nos equipamentos de inspeção de bagagens e vistorias falhas nos portões de entrada para comida e combustível

O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 15h37

CAIRO - O aeroporto egípcio de Sharm el-Sheikh operou por muito tempo com falhas na segurança, incluindo problemas nos equipamentos de inspeção de bagagens e vistorias falhas nos portões de entrada para comida e combustível de aviões. As informações foram dadas neste domingo, 8, por pessoas encarregadas da segurança do aeroporto.

A segurança nos aeroportos do Egito se tornou uma preocupação central enquanto investigadores apuram o que ocorreu no acidente com o Airbus A-321, que matou todas as 224 pessoas a bordo.

Sete oficiais envolvidos na segurança do aeroporto, alguns trabalham no local há mais de uma década, falaram sobre as falhas sob a condição de permanecerem anônimos porque não estavam autorizados a falar com a imprensa. Vários deles afirmaram que seus superiores foram avisados a respeito do equipamento de raio x de bagagem que estava com problemas, mas a máquina não foi substituída.

Uma das fontes ainda apontou que ocorriam subornos a policiais mal remunerados que monitoravam os equipamentos de raio x. "Eu não consigo dizer quantas vezes peguei uma mala cheia de drogas ou armas que eles deixaram passar por um suborno de 10 euros ou qualquer coisa do tipo", disse.

O porta-voz do ministério de Aviação do Egito, Mohamed Rahma descartou as declarações de segurança inadequada e afirmou que "Sharm el-Sheikh é um dos aeroportos mais seguros do mundo".

O presidente do Egito, Abdel-Fattah Al-Sissi, disse que autoridades britânicas enviaram um time de segurança para avaliar o aeroporto há dez meses em cooperação com equipes egípcias. Segundo ele, o resultado foi satisfatório.

Um porta-voz do departamento de Transportes da Grã-Bretanha não quis comentar sobre os detalhes do que as equipes encontraram, mas o secretário Patrick McLoughlin sugeriu que a inspeção de bagagens era insuficiente.

Todas as bagagens passam por scanners na entrada do aeroporto e as bagagens de mão passam por uma segunda máquina antes do embarque. Apesar disso, uma máquina na área para bagagens que já passaram pelo check-in sempre apresenta problemas e frequentemente não funciona, afirmaram todos os funcionários do aeroporto que foram ouvidos.

Outro integrante da equipe de segurança do aeroporto afirmou que havia um esforço para manter as aparências. Segundo ele, os funcionários procuravam fazer com que todos os aparelhos estivessem funcionando sempre que havia inspeções por especialistas internacionais.

Aviões vazios têm ido a Sharm el-Sheikh para buscar turistas russos e britânicos que permanecem na região, mas eles têm impedido que os passageiros levem bagagens, sugerindo uma preocupação com os procedimentos de segurança.

No sábado, o chefe da equipe de investigação, Ayman Al Muqadem, afirmou que um barulho foi ouvido no último segundo da gravação de voz na cabine do avião russo antes da queda. O anúncio aumentou as suspeitas dos EUA e da Grã-Bretanha de que o acidente teria sido provocado por uma bomba.

Apesar disso, Muqadem considerou que é cedo demais para dizer o que fez com que o avião tenha aparentemente se partido em pleno voo. "Todos os cenários estão sendo considerados. Poderiam ser baterias de lítio na bagagem de algum dos passageiros, poderia ser uma explosão do tanque de combustível ou fadiga em algum dos equipamentos da aeronave", disse a repórteres no Cairo. /ASSOCIATED PRESS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.