Aeroportos ainda estão vulneráveis nos EUA

Apesar de não haver confirmação oficial se a queda do vôo 587 da American Airlines, no distrito de Queens, em Nova York, foi causado por um novo atentado terrorista ou simplesmente um acidente, os especialistas em aviação fazem o alerta: a segurança nos aeroportos dos Estados Unidos ainda é vulnerável. Há menos de duas semanas, um homem passou livremente pelo sistema de detetores de metais e pela checagem de segurança no aeroporto de O´hare International, em Chicago, com uma bolsa de mão contendo facas e outras pequenas armas. "Essas falhas graves de segurança vão continuar enquanto o governo dos Estados Unidos deixarem a responsabilidade unicamente nas mãos das companhias aéreas, que terceirizam esse serviço e contratam as companhias de segurança pelo menor custo e não pelo melhor serviço", disse à Agência Estado o ex-chefe de treinamento de segurança da companhia aérea TWA (a empresa foi adquirida pela American Airlines), Phillip Baum, que hoje edita a publicação especializada Aviati on Security International. Segundo Baum, a esmagadora maioria dos funcionários responsáveis pelos pontos de checagem de passageiros e detetores de metais não tem qualificação nem treinamento adequados, além de receber remuneração extremamente baixa para as exigências de tal função. "Um funcionário de segurança e triagem de passageiros ganha, em média, nos aeroportos dos Estados Unidos cerca de US$ 5,75 por hora, enquanto um funcionário de limpeza dos banheiros dos aeroportos ganha US$ 10,96 por hora", disse Baum. Ele disse que na Inglaterra, que tem um dos melhores históricos de segurança do mundo, o governo estabelece os procedimentos de segurança e triagem, mas são os aeroportos - e não as companhias aéreas - que realizam tal tarefa. Nos Estados Unidos, a líder desse mercado é a Argenbright Security, que detêm 40% de todos os contratos com as companhias aéreas para fazer o trabalho de segurança e triagem de passageiros nos aeroportos norte-americanos. A empresa tem um histórico de multas por violações de procedimentos de segurança e também muitas críticas. O passageiro em Chicago com uma bolsa de facas e outras armas passou tranqüilamente pelo funcionário da Argenbright. Os terroristas que embarcaram nos aeroportos de Newark (cujo avião caiu no Estado da Pensilvânia) e Washington (cujo avião se chocou contra o Pentágono) também driblaram facilmente os funcionários da Argenbright Security. Para essa tarefa de triagem e segurança, a Argenbright emprega 6 mil funcionários em 45 aeroportos no país. Pesa contra a Argenbright a acusação também de que a empresa não faz uma investigação ou checagem de histórico criminal antes de contratar os funcionários. Essa foi uma das razões pelas quais a empresa foi multada em US$ 1 milhão no ano passado pela Justiça.

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