Aeroportos americanos proíbem líquidos e géis em bagagens de mão

Filas crescentes irritaram os viajantes enfileirados através dos terminais de aeroportos nos Estados Unidos enquanto as pessoas esperavam horas para chegar aos guichês da segurança, onde receberam a ordem de jogar fora todos os líquidos e géis - água, bronzeadores, até mesmo pastas de dente - após a descoberta de um plano terrorista envolvendo aviões deixando o Reino Unido.Guardas armados com rifles permaneceram nos guichês da segurança em diversos aeroportos. O governador de Massachusetts, Mitt Romney, disse que enviaria a Guarda Nacional para ajudar a patrulhar o Aeroporto Logan de Boston pela primeira vez desde os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, ativou a Guarda para aumentar a segurança nos aeroportos do Estado. O governador de Nova York, George Pataki, estava considerando uma ação semelhante.O alvo do plano eram vôos do Reino Unido para os Estados Unidos, particularmente para Nova York, Washington e Califórnia das companhias United Airlines, American Airlines and Continental Airlines Inc., um oficial contraterrorismo disse nesta quinta-feira, em condição de anonimato.As autoridades americanas aumentaram o nível de ameaça para vermelho para vôos vindos do Reino Unido, a primeira vez que a maior ameaça de ataque terrorista foi utilizada desde que o sistema foi criado. Todos os outros vôos estavam sob o alerta laranja - um abaixo do vermelho.O secretário do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, Michael Chertoff, disse que o plano aparentava ter sido organizado pela Al-Qaeda, o grupo terrorista que seqüestrou dois aviões de Boston em 11 de setembro e os jogou contra o as torres do World Trade Center em Nova York.FilasAs filas estavam maiores que o normal no Aeroporto Internacional de San Francisco, e caixas de plástico vermelho estavam sendo rapidamente preenchidas por garrafas de vinho, copos de café e garrafinhas de água agora proibidos na bagagem de mão.No Aeroporto Newark em New Jersey, a fila do guichê de segurança do Terminal B, que cuida da maior parte dos vôos internacionais, ocupou todo o comprimento do terminal - aproximadamente seis campos de futebol - e estava se movendo lentamente.A nova proibição de todos os líquidos e géis nas bagagens de mão deixou as pessoas sem escolha a não ser jogar fora caixas de suco, maquiagens e, para um passageiro, até mesmo uma garrafa de tequila. Medicamentos e comida de bebê foram isentos mas tinham que ser inspecionados.A comissária de vôo de Chicago Nuria Fernandez disse que a restrição permanecerá por um período mínimo entre 12 e 72 horas e possivelmente por mais tempo.A American Airlines cancelou três vôos com destino a Londres de Chicago, Boston e Nova York para acomodar os atrasos no aeroporto Heathrow em Londres, disse o porta-voz John Hotard. Para equilibrar os cancelamentos, a companhia aérea também três vôos à tarde e à noite de Londres para as cidades americanas, disse Hotard.Os 13 vôos restantes em cada direção eram esperados para sair com atraso entre 1 e 3 horas. Os cancelamentos foram em razão dos atrasos no horário e não a ameaças diretas aos vôos, disse Hotard.VulnerabilidadeA possibilidade de terroristas passarem pela segurança e entrarem em aviões levando líquidos como acetona ou alvejantes de roupas e misturá-los durante o vôo, suscitada pela descoberta e desmonte do complô no aeroporto de Heathrow, em Londres, expôs uma importante vulnerabilidade do esquema de segurança da Transportation Security Administration e das demais agências encarregadas de zelar pela seguranças do transporte aéreo de passageiros. Politicamente, o episódio é uma faca de dois gumes para o governo Bush. Embora os americanos aplaudam a pronta reação do Departamento de Segurança Interna, que elevou o alerta para vermelho - ou o máximo - nos vôos entre a Inglaterra e dos EUA, e para o laranja nos demais vôos, o episódio ilustra mais uma vez que, cinco anos depois dos ataques do 11 de setembro de 2001, a ameaça de novos atentados terroristas não diminuiu e pode transtornar a vida dos americanos mesmo num mês de férias como agosto.

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