AFP PHOTO / Delil souleiman
AFP PHOTO / Delil souleiman

Aeroportos do Curdistão iraquiano lotam antes da interrupção dos voos

Suspensão do tráfego internacional não vai afetar os voos humanitários, militares e diplomáticos

O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 12h32

IRBIL, IRAQUE - Os estrangeiros correram nesta sexta-feira, 29,  para os aeroportos de Erbil e de Suleimaniyeh, poucas horas antes da interrupção dos voos internacionais para o Curdistão iraquiano, imposta por Bagdá em resposta ao referendo de independência realizado na região. Mas a suspensão do tráfego internacional não vai afetar os voos humanitários, militares e diplomáticos, segundo afirmou a diretora do aeroporto internacional de Erbil, Talar Faiq Saleh.

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Para tentar evitar um bloqueio contra esta região separatista, o ministério dos Transportes do Curdistão pediu, em uma carta ao governo central de Bagdá, "a abertura de negociações sobre sua decisão a respeito dos voos", segundo um comunicado. "Ainda estamos à espera de uma resposta".

Mas o tom não é de conciliação, após a realização, contra a vontade de Bagdá, de um referendo na segunda-feira na região autônoma do Curdistão (norte), que viu a enorme vitória do sim.

Apesar de as autoridades curdas tentarem acalmar o jogo garantindo que não proclamariam sistematicamente a independência, as autoridades de Bagdá optaram por adotar medidas de retaliação e excluíram qualquer diálogo.

"Não há negociação oficial ou secreta com as autoridades curdas, e não haverá negociações até que declarem inválidos os resultados do referendo e entreguem às autoridades de Bagdá os postos de fronteira, aeroportos e áreas em disputa", garantiu um funcionário iraquiano.

Na quinta-feira, o governo central decidiu suspender todos os voos internacionais de e para os aeroportos de Erbil, capital do Curdistão, e Suleimaniyeh, no Curdistão, a partir das 18h00 (12h00 de Brasília).

Em Suleimaniyeh, "há dois dias que multidões se acumulam. Aqueles que partem são estrangeiros, árabes e curdos com outra nacionalidade", indicou à AFP Dana Mohammad Said, porta-voz do aeroporto.

Guichês lotados 

"Aqueles que chegam são curdos que estavam no exterior para negócios ou turismo. Estão voltando às pressas para não ficaram bloqueados no exterior", disse, indicando que após às 18h00 só haverá voos internos.

Em Erbil, uma centena de pessoas se aglutinavam nos guichês.

O painel de informações indicava que o último voo seria para Viena às 16h00 (10h00 de Brasília), enquanto que os com destino a Ancara, às 17h50, e Doha, às 19h00, foram cancelados.

O trânsito aéreo no Curdistão depende da Aviação Civil em Bagdá, que indicou na quinta-feira que a decisão para os voos domésticos seria tomada mais tarde.

Esta decisão de suspender os voos internacionais por um período indefinido fez com que muitos estrangeiros se apressassem. Os estrangeiros entram no Curdistão com um visto emitido pelas autoridades curdas, que não é reconhecido por Bagdá e, portanto, não podem viajar para outras partes do Iraque.

Um prolongado encerramento do tráfego aéreo também teria consequências potencialmente dramáticas para as organizações humanitárias.

"Um grande número de refugiados utiliza o aeroporto e nós somos uma ponte entre a Síria e a ONU por enviar ajuda humanitária", explica a diretora do aeroporto de Erbil, Talar Faiq Saleh. Ela acrescentou que o aeroporto é frequentado por membros das forças internacionais da coalizão anti-jihadista.

Pedidos de calma 

Nesta crise, o Curdistão não demonstra vontade de ceder, mas pede diálogo. Ele rejeitou as decisões tomadas por Bagdá, denunciando uma "punição coletiva".

Os Estados Unidos, que têm boas relações com ambos os lados, pediram "diálogo" depois de ter solicitado aos curdos que renunciassem ao referendo.

O porta-voz da coalizão internacional anti-jihadista, o coronel Ryan Dillon, enfatizou o impacto do referendo sobre a ofensiva contra o grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque. "O objetivo, que era como um raio laser dirigido contra o EI, já não é 100%", lamentou.

Nesta sexta-feira, as forças iraquianas lançaram um assalto para quebrar as defesas do EI ​​em Hawija, a última fortaleza do grupo no norte do Iraque. Hawija está localizada na província de Kirkuk, na fronteira com o Curdistão.

O referendo sobre a independência do Curdistão também foi rejeitado pelos países vizinhos com minorias curdas - Irã, Turquia e Síria.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, pediu uma cúpula Ancara-Teerã-Bagdá para coordenar as medidas a serem tomadas. A Turquia é a única porta que permite a Erbil exportar seu petróleo através de um oleoduto que leva ao porto turco de Ceyhan e fechar seus portões poderia sufocar o Curdistão./ AFP

 

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