AP Photo/Jacquelyn Martin, File
AP Photo/Jacquelyn Martin, File

Afastamento da OEA agrava crise na Venezuela

José Luiz Machado e Costa, embaixador brasileiro na organização, defende que melhor alternativa é manter aberto o canal diplomático com Caracas

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2016 | 05h00

WASHINGTON - O afastamento da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA) pode agravar a situação do país e cortar seus canais de diálogo com o restante da região, disse ao Estado o embaixador do Brasil na instituição, José Luiz Machado e Costa. “O que está ruim poderia ficar pior”, disse.

O brasileiro criticou o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, que na semana passada invocou a Carta Democrática Interamericana para o caso da Venezuela. Se aprovada, a medida pode levar à suspensão do país.

“O secretário-geral não atua de forma consultiva e toma atitudes individualistas, que não correspondem ao princípio da gradualidade nem respeitam os tempos diplomáticos”, disse Costa. “Os tempos da diplomacia não são os da política, os da imprensa e muito menos os do Twitter.” Almagro é um assíduo usuário das redes sociais e muitos dos membros da OEA tomam conhecimento de suas decisões por seus posts.

Na quarta-feira, os 34 Estados da OEA aprovaram por unanimidade uma declaração que defende o diálogo na Venezuela. O texto foi votado pelo Conselho Permanente e teve apoio de Washington e Caracas, que costumam estar em lados opostos na organização.

O documento não prevê nenhuma ação concreta, mas a aprovação foi apresentada como vitória tanto por Nicolás Maduro quanto pelo líder opositor Henrique Capriles. “A resolução exorta o governo a respeitar a Constituição e os direitos humanos”, afirmou Capriles.

Mesmo com a aprovação, o Conselho Permanente terá de analisar o pedido de aplicação da Carta Democrática feito por Almagro. O mais provável é que isso ocorra depois da Assembleia-Geral da OEA, que reunirá os chanceleres entre os dias 13 e 15 na República Dominicana. A crise não faz parte da agenda oficial, mas será discutida em reunião informal.

Para avançar, a solicitação de Almagro tem de ter os votos de 18 dos 34 membros da OEA. A suspensão só pode ser aplicada se houver dois terços dos votos. A menos que a situação se deteriore rapidamente, é pouco provável que Almagro tenha apoio necessário. “Com a declaração, os Estados da OEA disseram que estão preocupados com a Venezuela e os canais de diálogo devem ser fortalecidos”, disse Costa. “A manifestação mostra que os países estão coesos na opção pela diplomacia.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.