Afegã usa vídeo de casamento em processo contra o marido

Sabra Ahmadzai alega que marido indiano tem outra mulher em seu país.

Moska Najib, BBC

09 de fevereiro de 2009 | 14h57

Uma afegã que se casou com um médico do Exército indiano há dois anos está processando o marido por bigamia usando o vídeo do casamento como prova.Sabra Ahmadzai, 20 anos, trabalhava como tradutora de hindi em um hospital de Cabul quando conheceu o marido, o major Chandrashekhar Pant."Estávamos juntos (casados) há 15 dias quando ele foi transferido de volta para a Índia", disse."Ele prometeu voltar com os pais (para o Afeganistão) e partiu. Em seis meses ele me ligou apenas três vezes e, no último telefonema, ele me disse que eu era jovem e poderia me casar de novo e também disse: 'Tenho dois filhos e uma esposa de um casamento anterior'."No vídeo do casamento, Ahmadzai é mostrada vestindo branco, junto com Pant, caminhando por um templo, cortando o bolo de casamento e participando dos rituais do casamento islâmico.Ahmadzai afirmou que esperou dois anos para que o marido voltasse para o Afeganistão, mas os comentários e perguntas dos vizinhos ficaram insuportáveis. Desde novembro de 2008 ela está na Índia, onde pretende processar o marido.O casamento com um estrangeiro ainda é um tabu no Afeganistão. Mas Sabra Ahmadzai afirmou que decidiu se casar com Pant depois de ele ter se convertido ao islamismo e de sua família ter dado a permissão.Ahmadzai já se encontrou com Pant no hospital da pequena cidade de Pithoragarh, no Himalaia.Ela afirmou que seu marido ficou surpreso ao vê-la."Disse a ele que lhe daria três opções: 'Quando uma garota se casa, ela vai viver na casa do marido, então eu vou viver com você e sua família aqui na Índia, ou você e sua família virão comigo para o Afeganistão'.""'E se você não está satisfeito com nenhuma destas duas opções, então pelo menos venha ao Afeganistão e me dê o divórcio em frente ao mesmo clérigo e das mesmas pessoas (que participaram do casamento)'", afirmou Ahmadzai.Ahmadzai está recebendo apoio de estudantes locais e agências não governamentais.Com esta ajuda, ela já registrou uma queixa na polícia e está em Nova Déli, pois bigamia é ilegal na Índia. O advogado de Ahmadzai, Ravindra Garia, afirmou que ela tem um bom caso contra o major."Sabra está aqui, existem CDs com o vídeo do casamento dela e ela tem um certificado de casamento, que é prova documental de que este casamento ocorreu", disse.Mas, segundo a polícia local, Pant afirmou que sua imagem no vídeo de casamento foi forjada."Chandrashekhar Pant nega que tenha ocorrido uma cerimônia de casamento e acredita que estas imagens são, na verdade, uma montagem", disse o superintendente da polícia de Pithoragarh, PS Rawat, à BBC.O comandante do Exército indiano, o general Deepak Kapoor, afirmou que, se o major for considerado culpado, os militares vão tomar suas providências."Se o inquérito revelar que um integrante do Exército é culpado, automaticamente é possível aplicar medidas disciplinares. O Exército não acredita na filosofia de proteger o responsável por qualquer tipo de irregularidade, corrupção ou crime", afirmou.Mas, o general Kaapor afirmou que o Exército fez sua própria investigação e descobriu algumas "dicotomias" entre os registros militares e o que Ahmadzai afirmou em sua queixa à polícia."A dicotomia vem do fato de o casamento ter ocorrido em dezembro. Nossos registros, segundo os detalhes do oficial na missão no Afeganistão, mostram que ele estava lá de janeiro a novembro", disse.Sabra Ahmadzai afirmou que vai continuar com o processo, mesmo que isso dure anos."Aprendi que você não deve se casar com alguém de fora de sua comunidade e se você fizer isso, então você precisa perguntar e ser cuidadosa", disse.Ahmadzai afirmou que quer voltar ao Afeganistão e abrir uma ONG para ajudar outras mulheres afegãs exploradas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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