Afeganistão assina acordo com EUA para manter tropas no país

Missão dos militares será de orientar as forças de segurança afegãs, com combate à Al-Qaeda em segundo plano

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2014 | 02h03

Os Estados Unidos e países aliados assinaram ontem com o Afeganistão os acordos de segurança que permitirão a permanência de tropas estrangeiras no país depois de dezembro, quando a guerra iniciada há 13 anos chegará oficialmente ao fim. Segundo o presidente americano, Barack Obama, os militares terão a missão de assessorar as forças afegãs e combater remanescentes da Al-Qaeda.

Pouco mais de 12 mil soldados continuarão em solo afegão, dos quais 9,8 mil americanos. O acordo dá imunidade legal aos militares e aos civis que trabalham para o Departamento de Defesa americano e garante que eles serão julgados nos EUA por eventuais violações criminais ou civis cometidas no Afeganistão. Documento semelhante foi assinado com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que manterá 2,2 mil soldados no país.

Autoridades dos EUA disseram que a maioria das tropas será mobilizada para o treinamento dos afegãos, o que coloca as operações de combate à Al-Qaeda e ao terrorismo em segundo plano. "Se você tem menos pessoas, você faz menos coisas", disse ontem um funcionário do Departamento de Estado.

O acordo ficará em vigor por prazo indeterminado e poderá ser cancelado por decisão mútua ou notificação unilateral com antecedência de dois anos. Em maio, Obama anunciou que pretendia manter os 9,8 mil soldados no Afeganistão depois de dezembro, caso o acordo fosse assinado. O plano é reduzir o número a cerca da metade no prazo de um ano e retirar todas as tropas até o fim de 2016.

Segundo o funcionário do Departamento de Estado, o pacto abrange atividades de cooperação de segurança que continuarão a ocorrer mesmo depois da retirada das tropas.

A assinatura do acordo permite que os EUA tenham no Afeganistão um desfecho distinto do ocorrido no Iraque, de onde todos os soldados americanos saíram em dezembro de 2011. O então primeiro-ministro xiita, Nouri al-Maliki, se recusou a dar imunidade aos americanos, o que impediu a permanência de tropas após o fim da guerra.

Com o rápido avanço dos extremistas do Estado Islâmico (EI), Obama decidiu retomar atividades militares no Iraque e ordenou, no mês passado, o bombardeio de posições do grupo no norte do país.

Os EUA chegaram a ter 100 mil soldados no Afeganistão entre 2010 e 2011, quando o número começou a diminuir, até atingir os atuais 28 mil. Nos últimos 13 anos, cerca de 830 mil americanos serviram no país ao menos uma vez.

A guerra no Afeganistão, o mais longo conflito armado da história dos EUA, custou a vida de 2.347 soldados americanos e deixou 19,6 mil feridos. Os demais países que participam da coalizão perderam 1.127 militares.

Os EUA e seus aliados invadiram o país em outubro de 2001, em reação aos atentados de 11 de Setembro. O então presidente, George W. Bush, acusou o governo do Taleban de permitir que a Al-Qaeda e Osama bin Laden usassem o Afeganistão como base para organizar e planejar os ataques.

Bin Laden acabou sendo morto no Paquistão, em maio de 2011, em operação realizada por integrantes da CIA e forças especiais da Marinha americana.

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