Afeganistão busca auxílio saudita para negociar com Taleban

Presidente afegão pede que rei, que reconheceu o governo do grupo no passado, faça a mediação para a paz

Associated Press e Reuters,

30 de setembro de 2008 | 09h46

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse nesta terça-feira, 30, que pediu ao rei Abdallah, da Arábia Saudita, que ajude a facilitar as conversas de paz com o Taleban. Karzai afirmou que sua intenção é encerrar o conflito no país. Segundo o líder, não houve ainda negociações, apenas pedidos de ajuda. Mas ele disse que funcionários afegãos viajaram tanto para a Arábia Saudita quanto para o Paquistão, trabalhando para o fim da violência. A Arábia Saudita foi um dos poucos países a reconhecer o governo taleban quando o grupo comandou o Afeganistão, nos anos 1990. Os islâmicos radicais foram derrubados em 2001.  O presidente falou durante a tradicional mensagem aos afegãos durante o feriado religioso muçulmano do Eid-al Fitr. Karzai assegurou que o governo tenta encorajar os militantes e abandonarem as armas. Karzai afirmou nesta terça-feira que iria pessoalmente proteger os líderes do Taleban e de outros militantes das tropas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), caso eles voltassem para o Afeganistão para negociações. "Nos últimos dois anos, eu enviei cartas ao rei da Arábia Saudita e mensagens, e eu pedi a ele, como líder do mundo islâmico, pela segurança e prosperidade do Afeganistão e pela reconciliação no Afeganistão...ele deve nos ajudar", afirmou Karzai.  Karzai afirmou que no passado já enviou mensagem ao líder do Taleban Mulá Omar, para que ele "voltasse a sua terra natal e trabalhasse pela felicidade do povo". Funcionários afegãos tentam há tempos contatar o Taleban e outros militantes para conversas de paz. Mas essas iniciativas - inclusive os esforços da administração Karzai - foram rechaçadas. O líder fugitivo do Taleban Mulá Omar, por sua vez, divulgou sua própria mensagem no feriado religioso. Ele lançou várias acusações contra os membros das forças de segurança afegãs, chamando-os de ladrões, contrabandistas e criminosos, que não merecem a confiança da população. Um ex-líder do Taleban disse na semana passada que os militantes não consideram Karzai um líder forte. Para eles, o presidente não pode bancar nenhum acordo sem o apoio dos Estados Unidos. O ex-líder falou sob condição de anonimato. Funcionários norte-americanos não disseram se estariam prontos para contatos com líderes do Taleban. Porém Washington encoraja os militantes a abandonarem as armas e ingressarem no programa de reconciliação nacional promovido pelo governo afegão. Omar está foragido desde a invasão liderada pelos EUA no país, em 2001, que derrubou o regime linha-dura do Taleban. Funcionários afegãos afirmam que ele está na cidade paquistanesa de Quetta ou nas proximidades. Já o governo do Paquistão afirma que Omar está no território afegão.

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