Afeganistão concorda com reabertura de escritório político do Taleban

Representantes que conversam para tentar encerrar a guerra no país discordam sobre a presença de tropas estrangeiras na região 

O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2015 | 17h05

PESHAWAR - Representantes nas conversas preliminares com objetivo de encerrar a longa guerra do Afeganistão concordaram que os insurgentes do Taleban reabram um escritório político para as negociações, mas a discórdia em relação às tropas estrangeiras ainda ameaça a perspectiva de um cessar-fogo.

Um comunicado emitido nesta segunda-feira, 4, delineou os acordos obtidos por pelo menos 40 delegados em uma “reunião extra-oficial” entre representantes do Taleban, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do governo afegão no encontro de dois dias realizado no Catar.

O diálogo foi um passo adiante rumo a um processo de paz que vem se mostrando evasivo durante a guerra, que matou milhares de afegãos desde que o Taleban foi expulso do poder por uma coalizão militar liderada pelos EUA.

Os delegados concordaram que o Taleban deveria reabrir um escritório político em Doha, que causou furor em 2013, quando foi brevemente inaugurado como parte de uma tentativa anterior e fracassada de iniciar negociações.

Na ocasião, durante a cerimônia de inauguração televisionada, os representantes do Taleban hastearam a bandeira de seu regime anterior, revoltando o então-presidente Hamid Karzai e inviabilizando as tão esperadas conversas.

O novo líder do Afeganistão, Ashraf Ghani, fez das negociações uma prioridade desde que assumiu o cargo no ano passado.

Os delegados também pediram a retirada dos nomes dos principais líderes do Taleban de uma lista negra de terroristas da ONU para que possam viajar para as tratativas, de acordo com uma declaração do Conselho Pugwash, organização global que prega a resolução de conflitos e co-sediou as conversas com o governo do Catar.

Mas não houve avanço no tocante ao principal obstáculo para um cessar-fogo – a permanência de cerca de 10 mil treinadores militares dos EUA e de forças contra-terrorismo.

As conversas terminaram no domingo com o compromisso de se realizar um diálogo semelhante no futuro.

Os combates aumentaram após a partida da maioria dos soldados americanos e aliados. Recentemente o Taleban lançou uma ofensiva no norte afegão que levou seus combatentes até os arredores da cidade de Kunduz, uma capital provincial.

O governo do Afeganistão não comentou oficialmente as conversas, mas membros do Alto Conselho para a Paz do país compareceram ao evento.

Um participante do Taleban disse à Reuters que uma delegação de oito membros do grupo realizou conversas diretas com autoridades afegãs. "A delegação afegã e Qayyum Kochai, tio do presidente Ashraf Ghani, exigiram que ponhamos fim à violência e anunciemos um cessar-fogo", afirmou.

O Taleban declarou que não vai parar de lutar até que todas as forças estrangeiras deixem o Afeganistão, disse. /REUTERS

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