Reuters
Reuters

Afeganistão confirma morte de líder taleban

Paquistão denuncia como violação ataque dos EUA que matou o mulá Mansour

O Estado de S. Paulo

22 Maio 2016 | 10h29

CABUL - Os serviços de inteligência do Afeganistão confirmaram neste domingo, 22, a morte do líder do Taleban, o mulá Akhtar Mansour, em um ataque com drones lançado pelos Estados Unidos no Paquistão, em uma região próxima à fronteira entre os dois países.

“O líder taleban, Akhtar Mansour, morreu ontem (sábado) em um ataque aéreo na região de Dalbandin, no Baluchistão, no Paquistão”, disse Jamil Sultani, vice-porta-voz do Diretório de Segurança Nacional. Em nota (DSN), o órgão de inteligência explicou que o ataque aéreo ocorreu às 15h45 (7h em Brasília).

“Akhtar Mansour, que estava sob vigilância havia muito tempo, viajava em um veículo com companheiros na região de Dalbandin, onde foi alcançado e abatido”, diz o comunicado.

Apesar de o governo afegão ter confirmado a morte de Mansour, os Estados Unidos ainda a consideravam neste domingo como “muito provável”.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que “Mansour representava uma ameaça iminente aos funcionários dos Estados Unidos, civis afegãos e forças de segurança afegãs”. “Ele era diretamente contrário às conversas de paz.”

Investigações. Segundo as investigações realizadas até agora pelo Paquistão, um homem com passaporte e identidade paquistaneses em nome de Wali Muhammad entrou no sábado no país vindo do Irã. 

O veículo utilizado por ele e seu motorista foi encontrado destruído na estrada de Kochaki perto da fronteira entre Paquistão e Afeganistão. O motorista foi identificado como Mohammed Azam, mas a outra pessoa permanece desconhecida. 

O Ministério do Exterior paquistanês não comentou diretamente sobre a possibilidade de Mansour ter viajado usando outro nome, mas fotos do passaporte de Wali Muhammad encontrado no local mostram uma semelhança com fotos antigas do líder taleban. O Ministério disse que o documento tinha um visto iraniano válido.

Denúncia. O Paquistão denunciou que o bombardeio com drone lançado em seu território pelos Estados Unidos foi uma nova violação de sua soberania. O Ministério das Relações Exteriores paquistanês afirmou que o primeiro-ministro, Nawaz Sharif, e o chefe do Exército, Raheel Sharif, foram informados pelos EUA do bombardeio depois que ele foi realizado.

O ataque, que segundo autoridades americanas teve autorização do presidente Barack Obama, mostrou que os EUA estavam preparados para ir atrás de Mansour no Paquistão, acusado repetidamente pelo governo afegão de abrigar os insurgentes.

Sucessão. Muitos dos antigos rivais de Mansour estariam na fila para assumir o comando do Taleban. Entre eles figuram, como favoritos, o filho do mulá Omar, o mulá Yacub, considerado na época em que Mansour assumiu a chefia jovem demais e inexperiente para ocupar o cargo, assim como o irmão de Omar, o mulá Abdul Manan Akhund.

Os seguidores do mulá Mansur também poderiam ser sucessores potenciais, como o influente líder religioso Haibatullah Akhundzada ou Sirajuddin Haqqani, atual líder da rede Haqqani, um grupo aliado ao Taleban. Uma recompensa de US$ 5 milhões é oferecida pela captura de Haqqani, considerado pelas autoridades dos EUA e do Afeganistão como o comandante mais perigoso da insurgência taleban, responsável pelos ataques mais sangrentos. /REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.