Afeganistão contrata 10 mil civis para fazer segurança eleitoral

Contratação faz parte das tentativas de fortalecer a segurança nas províncias atingidas pela insurgência

AE-AP,

11 de agosto de 2009 | 19h43

Autoridades afegãs contrataram cerca de 10 mil moradores de tribos afegãs para trabalhar na segurança das eleições presidenciais desta semana, informou um funcionário do governo nesta terça-feira, 11, elevando a possibilidade de que milícias dos vilarejos possam ser alistadas para lutar contra o Taleban.

 

Veja também:

link EUA admitem que Taleban está ganhando espaço no Afeganistão

 

A contratação destaca as tentativas das autoridades de fortalecer a segurança nas províncias atingidas pela insurgência, mas também ressalva o novo foco no uso de milícias para combater a crescente ameaça taleban, da mesma forma como as milícias árabes sunitas passaram a fazer parte na ajuda do combate à violência no Iraque.

 

As novas forças irão inicialmente ajudar a fazer a segurança dos centros de votação em 21 das 34 províncias afegãs durante a eleição de 20 de agosto, disse Arif Noorzai, chefe do Diretorado Independente para a Proteção de Propriedades Públicas e Estradas para Apoio Tribal.

 

"Estamos tentando fornecer segurança para os centros de votação e pavimentar o caminho para que as pessoas participem das eleições", disse Noorzai. "Eles estão preenchendo as vagas onde não há polícia ou o governo tem falta de forças de segurança".

 

Zemeri Bashary, o porta-voz do ministério do Interior, disse que a nova força não será armada por autoridades ou receberá uniformes e farão trabalhos como forças de segurança apenas em áreas onde moram.

 

Maqbool Ahmad, auxiliar de Noorzai, disse que eles carregarão suas próprias armas, que os moradores das tribos terão de registrar junto às autoridades.

 

Os membros da nova força afegã foram recrutados nas comunidades onde servirão e receberão US$ 160 por mês por seu trabalho, disse Noorzai.

 

Funcionários eleitorais afegãos fornecerão forças de segurança para cerca de 7 mil centros de votação. As forças de segurança ainda não determinaram quantos desses centros receberão segurança no dia do pleito. Centenas devem permanecer fechados por temores de atos de violência.

 

Quase todos os centros de votação com problemas estão em áreas onde vivem pessoas do maior grupo étnico do país, os pashtuns. O baixo comparecimento nessas áreas pode prejudicar o próprio presidente Hamid Karzai, que é pashtun. Karzai está na liderança das pesquisas eleitorais e a maioria dos observadores esperam que ele conquiste um segundo mandato de cinco anos.

 

Há cerca de 100 mil soldados dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, bem como 175 mil tropas e policiais afegãos. Mas num país de 33 milhões de pessoas com terreno acidentado, poucas estradas e população dispersa, fornecer segurança em períodos de insurgência é uma atividade difícil.

 

Não está claro se as autoridades planejam institucionalizar a nova força e eventualmente incorporá-la à segurança dos país depois das eleições. As milícias têm reputação ruim no Afeganistão por seu papel durante a guerra civil no país após a saída das tropas soviéticas no final de 1989.

 

Confrontos com insurgentes mataram três soldados norte-americanos no sul do Afeganistão, onde bombas colocadas no acostamento de estradas também mataram nove civis, informaram funcionários nesta terça-feira.

 

Um soldado polonês, 22 insurgentes taleban e dois soldados afegãos também morreram em decorrência da violência, nove dias antes da segunda eleição presidencial no país.

 

A Otan disse que norte-americanos morreram em "incidentes hostis" separados. A organização não divulgou a exata localização dos ataques. O primeiro morreu de ferimentos sofridos em um incidente que ocorreu no sábado, outro morreu no domingo e o terceiro na segunda-feira, informou um comunicado da Otan.

 

Pelo menos 27 soldados estrangeiros, incluindo 18 norte-americanos, morreram em agosto, um número recorde, segundo contagem da Associated Press.

 

Julho, quando 75 militares morreram, foi o mês mais mortífero no Afeganistão para forças dos Estados Unidos e da Otan desde a invasão norte-americana de 2001. Quarenta e quatro norte-americanos morreram no mês passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.