Afeganistão e EUA assinam acordo sobre permanência de tropas

Afeganistão e EUA assinam acordo sobre permanência de tropas

Soldados americanos poderão ficar no país até o fim de 2016; outro acordo foi assinado entre Cabul e a Otan, também sobre segurança

O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 09h26

CABUL - Autoridades do Afeganistão e dos Estados Unidos assinaram nesta terça-feira, 30, o aguardado Acordo Bilateral de Segurança (BSA, sigla em inglês) para permitir a permanência de tropas americanas no país após o fim deste ano. Essa era uma promessa de campanha do novo presidente afegão, Ashraf Ghani, que tomou posse na segunda.

O novo assessor de segurança nacional do Afeganistão, Hanif Atmar, e o embaixador dos EUA em Cabul, James Cunningham, assinaram o acordo bilateral por volta das 15h15 (7h45 pelo horário de Brasília) no palácio presidencial afegão, em uma cerimônia transmitida pela televisão.

O antecessor de Ghani, Hamid Karzai, recusou-se durante muito tempo a assinar o acordo, o que afetou as relações do Afeganistão com os EUA.

Sob os termos do acordo, cerca de 12 mil soldados estrangeiros (sendo 9,8 mil americanos) devem ficar no Afeganistão para treinar e ajudar as forças de segurança afegãs após o encerramento formal da missão militar liderada pelos EUA e de sua missão de combate e a retirada da Otan, no fim de 2014.

O número de militares americanos será reduzido progressivamente até o mínimo necessário para operações de segurança e trabalhos diplomáticos até dezembro de 2016. Países como Alemanha e Itália também terão efetivos em solo afegão junto com os americanos.

Um novo acordo de segurança com a Otan também foi assinado, entre Atmar e o embaixador da organização no Afeganistão, Maurits R. Jochems. O acordo com os EUA era uma precondição para o acordo com a Otan, que estabelece a estrutura de uma missão focada em treinamento, consultoria e no equipamento das tropas afegãs.

Atualmente, 48 países participam da missão da Isaf com 41.124 soldados, dos quais 28.970 são dos EUA, segundo os últimos dados da Otan.

Gani afirmou, em um discurso feito após as assinaturas, agradecendo Karzai por ter estipulado todos os detalhes dos tratados e afirmou que a Loya Jirga, a assembleia tradicional afegã, "aprovou" os dois acordos. "Garanto à nação que os acordos foram feitos com base em nosso interesse nacional", acrescentando que se for necessário, os tratados podem ser modificados com o respaldo da outra parte signatária. / EFE e REUTERS

Mais conteúdo sobre:
AfeganistãoEUAOtan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.