Afeganistão e Paquistão selam acordo bilateral

Reunião entre líderes dos países, intitulada "jirga da paz", termina com propostas, mas sem compromissos

Naweed Haidary, da Efe,

12 de agosto de 2007 | 14h25

Os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, general Pervez Musharraf, disseram neste domingo, 12, que ficaram felizes com o "sucesso" da "jirga da paz" realizada em Cabul, que terminou com uma declaração contendo algumas propostas, mas sem compromissos e meios de implementá-las. "Estou muito feliz pelo fato de que esta 'jirga' tenha terminado com muito sucesso", afirmou Karzai em seu breve discurso aos 650 delegados, entre políticos, clérigos, empresários e líderes tribais, reunidos desde quinta-feira na capital afegã para esta primeira grande assembléia entre Afeganistão e Paquistão. Musharraf, que falou antes e se estendeu mais em seu discurso, mostrou satisfação com as conquistas da assembléia, e disse ter acompanhado os desdobramentos do evento em Islamabad nos últimos três dias. "Fico feliz que os dois países tenham dados as mãos para resolver seus problemas, que, na maioria, foram impostos por estrangeiros", afirmou o presidente paquistanês. "Os afegãos e seu governo deveriam tentar trazer a paz ao país, sua responsabilidade é muito grande", ressaltou Musharraf. "Nossa responsabilidade é muito grande também e consiste em impor a paz em nossas regiões tribais" que fazem fronteira com o Afeganistão, admitiu o presidente paquistanês. "O sucesso desta 'jirga' nos ajudará a conseguir isso", disse Musharraf, concordando com Karzai na necessidade de superar os medos e acabar com as acusações mútuas para combater juntos o inimigo comum. O presidente paquistanês ressaltou que a violência, herança de um passado de luta contra os soviéticos, está "obstruindo o enorme potencial econômico" dos dois países e suas trocas com a Ásia Central. Musharraf e Karzai cancelaram a entrevista coletiva que concederiam após o encerramento da "jirga". O Paquistão e o Afeganistão se acusam mutuamente de não fazer o suficiente para neutralizar os insurgentes talebans e os terroristas da Al-Qaeda que se infiltram pela longa fronteira comum e se escondem no cinturão tribal paquistanês. Os temores das duas nações ficaram evidentes na "jirga", promovida durante a cúpula que Karzai e Musharraf realizaram em setembro, em Washington, com o presidente americano, George W. Bush. Ameaças Irritado com as ameaças veladas de Bush de atacar os santuários terroristas nas áreas tribais paquistanesas, Musharraf não foi à abertura do evento na quinta-feira, e só compareceu ao encerramento da conferência após receber ligações telefônicas de Karzai e da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice. Em discurso durante a inauguração da "jirga", o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, pediu que os afegãos reconheçam que a violência no Afeganistão é culpa do país, e criticou suas conseqüências para o Paquistão, que sofre com a presença dos talebans em suas áreas tribais. A declaração final da "jirga" refletiu neste domingo a incapacidade dos dois países em obter um compromisso, apesar de "reconhecer" que "o terrorismo é uma ameaça comum a ambos" e que o combate ao problema "deve continuar sendo parte integral das políticas nacionais e das estratégias de segurança" do Paquistão e do Afeganistão. Neste sentido, os delegados prometeram que "os Governos e cidades do Afeganistão não permitirão santuários ou campos de treinamento para terroristas no país". Outro problema comum e relacionado ao terrorismo e à insurgência é o tráfico de drogas, "condenado" na declaração da "jirga", que pediu que os dois Governos "façam uma guerra total contra esta ameaça". O documento pede também que a comunidade internacional ajude o Afeganistão a oferecer outras formas de subsistência aos trabalhadores rurais, com projetos econômicos, sociais e de infra-estruturas para as áreas que agora são destinadas ao plantio de ópio. A assembléia decidiu criar uma "jirga" reduzida de 50 membros, com o mandato de "agilizar o processo em andamento de diálogo para a paz e a reconciliação com a oposição" afegã, que os talebans rejeitaram até agora.

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