Afeganistão executa 5 homens em caso de estupro coletivo

O governo afegão executou cinco homens condenados por estupro coletivo e roubo, em um caso que chocou o país neste ano. Segundo o chefe de polícia de Cabul, o general Mohammad Zahir, os criminosos foram enforcados nesta quarta-feira na prisão Puli Charkhi.

Estadão Conteúdo

08 de outubro de 2014 | 11h29

O crime foi cometido em agosto, quando oito homens pararam o carro de uma família nos arredores de Cabul e estupraram quatro mulheres, das quais uma estava grávida. As vítimas foram arrastadas para fora do veículo até uma área em que os homens da família pudessem ouvir seus gritos. Alguns dos criminosos utilizavam uniformes policiais.

Sete dos envolvidos foram condenados à morte no mês passado, mas um recurso judicial reduziu duas das sentenças para até 20 anos de prisão. Os veredictos foram confirmados pela Suprema Corte do país. Três dos criminosos ainda estão foragidos.

O caso gerou comoção e levou os afegãos às ruas para protestar em favor das vítimas.

Permitida pela lei, a pena de morte só foi autorizada pelo ex-presidente Hamid Karzai duas vezes durante o seu mandato de 13 anos. Em centenas de casos, a execução dos criminosos não foi aceita pelo governo. Essa última ordem de execução foi assinada pelo ex-presidente Karzai no mês passado, no último dia do seu mandato.

Grupos de direitos humanos criticaram a rapidez no processo judicial e a aplicação da pena de morte no caso de estupro. O primeiro julgamento durou apenas duas horas. O Human Rights Watch afirmou que a interferência política e as condenações rápidas violam o direito dos réus à defesa no processo judicial.

O vice-diretor da Anistia Internacional para Ásia-Pacífico, David Griffiths, observou a gravidade do crime, mas disse que a entidade considera a pena de morte como uma "forma repugnante de punição" que nunca deve ser usada. "É profundamente lamentável que o presidente Ashraf Ghani tenha permitido que as execuções fossem adiante", afirmou Griffiths. Fonte: Associated Press.

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