Afeganistão investiga mortes de 17 civis em ataque da Otan

Aliança confirma operação no sul do país, mas diz que não tem informação das mortes no bombardeio

Agência Estado e Associated Press,

17 de outubro de 2008 | 08h37

Autoridades afegãs investigam a morte de pelo menos 17 civis durante um choque entre forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e rebeldes islâmicos no sul do Afeganistão, informou nesta sexta-feira, 17, um funcionário local. Enquanto isso, um confronto no leste afegão teria resultado na morte de 18 insurgentes, disse um comandante de polícia.   Moradores e um oficial de polícia afirmam que os civis morreram em um bombardeio realizado na quinta pela Otan contra o distrito de Nad Ali, na província de Helmand. Há diversas mulheres e crianças entre as vítimas. O comando militar da Otan no Afeganistão confirmou nesta sexta-feira ter promovido um bombardeio contra a região na quinta-feira, mas alegou não dispor de informações para confirmar a morte de civis no ataque e não fez mais nenhuma declaração sobre o assunto.   Daud Ahmadi, porta-voz do governo de Helmand, disse nesta sexta-feira que as autoridades locais investigam se foi o bombardeio ou "a atividade insurgente" que provocou o desabamento do imóvel no qual os civis mortos se encontravam. Moradores revoltados levaram mais de uma dúzia de corpos carbonizados - inclusive de mulheres e de crianças - até a casa do governador, na cidade de Lashkar Gah, disse Haji Adnan Khan, um líder tribal que viu os cadáveres.   Situado a apenas dez quilômetros de Lashkar Gah, o distrito de Nad Ali tem sido palco de violentos confrontos entre rebeldes e forças governamentais e aliadas. Os rebeldes controlam grande parte do entorno de Nad Ali. As mortes de civis em ações militares dos Estados Unidos e da Otan têm provocado atrito entre o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e seus aliados ocidentais.   Karzai vem pedindo há anos que os EUA e a Otan parem de matar civis ou corram o risco de minar seu governo e a coalizão militar que enfrenta rebeldes islâmicos no país. Este é o mais grave incidente do gênero desde agosto, quando o governo afegão acusou o Exército americano de ter matado 90 civis durante um bombardeio a Herat, no oeste do país. Uma investigação militar dos EUA concluiu que 33 civis morreram em Herat e defendeu a conduta de seus soldados. Um inquérito separado conduzido pela Organização das Nações Unidas (ONU), no entanto, confirmou a versão afegã.   Os comandantes militares ocidentais queixam-se que os rebeldes colocam civis em risco porque operam em áreas residenciais. Enquanto isso, 18 pessoas morreram em choque ocorrido nesta sexta em Narang, um distrito da província de Kunar, disse o general Abdul Jalal, comandante da polícia local. Segundo ele, todos os mortos eram rebeldes. Não foi possível confirmar a informação junto a fontes independentes.   Mais de 4.800 pessoas morreram em episódios de violência ocorridos este ano no Afeganistão, supostos rebeldes em sua maioria, segundo uma contagem da Associated Press.

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