Afeganistão: segurança é principal preocupação, diz ONU

A situação da segurança no Afeganistão melhorará apenas se os afegãos deixarem de ser leais aos senhores da guerra e passarem a apoiar as instituições políticas em formação no país, avaliou nesta quinta-feira uma delegação do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A questão da segurança, ainda vulnerável dois anos depois da queda do regime fundamentalista islâmico do taleban, dominaram as discussões durante uma visita de cinco dias protagonizada pelos embaixadores dos 15 países do CS da ONU, disse o chefe da delegação, o representante alemão na ONU Gunter Pleuger. "Os habitantes do país precisa deixar de ser leais a pessoas - especialmente aos senhores da guerra - e passar a ser leais às instituições", disse Pleuger a jornalista pouco antes da partida da delegação. Os diplomatas também pediram a realização de reformas capazes de recuperar a estabilidade, especialmente no Ministério da Defesa, e o desarmamento de ex-combatentes milicianos. O ministro da Defesa, Mohammed Fahim, ex-líder da Aliança do Norte, recusa-se a retirar centenas de seus soldados de Cabul. Os milicianos permaneceram na capital afegã depois de se aliarem à coalizão liderada pelos Estados Unidos que depuseram o regime Taleban no fim de 2001. Pleuger destacou que a presença das tropas afegãs em Cabul - onde mantenedores de paz liderados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) são responsáveis pela segurança sob mandato da ONU - viola os acordos de Bonn, assinados em 2001, que estabelece um projeto para a recuperação da vida política no Afeganistão. Ele pediu a remoção imediata dos soldados afegãos "antes de entrarmos na época de preparativos para as eleições", previstas para o próximo ano. Na última segunda-feira, o governo afegão revelou um projeto de Constituição, que no mês que vem será discutida pelos representantes do grande conselho (loya jirga). Sua aprovação abriria caminho para que eleições livres sejam realizadas em junho de 2004. A missão da ONU procurou demonstrar o contínuo interesse da comunidade internacional pelo Afeganistão e seu apoio ao governo central do presidente Hamid Karzai, garantiu Pleuger. Os embaixadores também viajaram às cidade de Herat e Mazar-e-Sharif para pedir aos líderes locais que cooperem com o governo de Karzai.

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