Afeganistão tenta retomar vida normal

A moeda está ficando mais forte. Os preços dos alimentos estão caindo. Os clientes estão procurando novamente o táxi de Mohammed Ibrahim. E os moradores das cidades afegãs parecem estar um pouco mais felizes. Nos Estados Unidos, só se fala sobre guerra com o Afeganistão, ou, pelo menos, com a liderança Taleban. Mas nas ruas de Cabul, a vida está próxima ao normal - ou, pelo menos, ao que é "normal" para uma terra que tem estado paralisada por guerras por quase uma geração. "Por que tudo está melhor?", perguntava Abdul Qayyum, enquanto vendia verduras hoje em Cabul, a capital afegã. "Para mim, é uma surpresa." No entanto, para os afegãos, a impressão pode estar longe da realidade. Os ataques norte-americanos contra o governo taleban e o homem que eles chamam de "hóspede", o terrorista suspeito Osama bin Laden, parecem mais reais do que nunca, embora funcionários norte-americanos afirmem que, em princípio, tenham como alvo as instalações terroristas. Depois dos atentados do mês passado nos EUA, os afegãos deixaram suas cidades e foram para a zona rural, para fugir do que muitos temiam ser uma rápida e resoluta retaliação norte-americana. Há duas semanas, os que deixaram Kandahar, onde fica a sede do taleban, disseram que a cidade, que fica em meio ao deserto, estava vazia. Nesta semana, as pessoas que estão voltando para Kandahar afirmam que boa parte do centro da cidade havia voltado à normalidade. Em Jalalabad, as lojas da principal rua comercial do centro foram reabertas. E em Cabul, a moeda local, o afghani, passou por uma valorização nos últimos dias. Abdul Shakkor, um vendedor de frutas de Cabul, contou que suas vendas aumentaram cinco vezes. E o motorista de táxi Ibrahim, pai de oito filhos, revelou que o movimento de clientes também aumentou, mas diminuíram aqueles que faziam viagens longas. "Aqueles que tinham dinheiro suficiente para deixar Cabul já o fizeram", afirmou Ibrahim. "Agora ninguém mais me pede para ir até a fronteira paquistanesa, estou dirigindo dentro de Cabul", acrescentou.

Agencia Estado,

03 Outubro 2001 | 18h34

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