Afegão convertido diz que não pisará nunca mais no país

O afegão que havia sido preso em seu país por se converter ao cristianismo e foi libertado na segunda-feira afirmou nesta quinta-feira na Itália, onde se encontra como refugiado político, que "nunca mais" quer pisar em seu país. Abdul Rahman agradeceu Roma e outros países que se mostraram dispostos a acolhê-lo. Um agradecimento especial foi dado para o papa Bento XVI, "por ter cuidado do caso", disse. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a presidência austríaca da UE e representantes dos governos da Alemanha, Itália, Reino Unido e Canadá também intercederam por Rahman. O afegão pediu para, de agora em diante, ser chamado pelo nome bíblico de Joel, em lugar de Abdul. Ele explicou nesta quinta-feira a um grupo de jornalistas que se converteu ao cristianismo há oito anos, depois de ler uma Bíblia emprestada por um amigo belga. Ele acrescentou, em inglês, que no Afeganistão "quem muda de religião é perseguido e corre o risco de ser assassinado", e por isso não quer voltar "nunca mais". Também disse que sua família o "rejeitou" quando decidiu se converter, e se mostrou preocupado com seus dois filhos. "Eles podem ter problemas por minha causa", admitiu. Os dois atualmente vivem com sua mãe, em Cabul. Rahman, cujo caso foi encerrado no domingo pela Corte Suprema afegã, mostrou aos jornalistas uma ata judicial escrita em dari, o dialeto persa do norte do Afeganistão. "Está escrito que me matarão", explicou. O afegão, de 41 anos, foi acusado de apostasia (abandono da fé) por "rejeitar o Islã", crime que no Afeganistão é punido com a pena de morte. Depois de o Supremo arquivar o caso, Rahman foi posto em liberdade sob intensa pressão da comunidade internacional. Ele viajou para Roma na terça-feira à noite, aceitando a oferta de asilo da Itália. O Ministério Interior italiano informou que o governo aceitou o pedido de asilo político por considerar o afegão "perseguido por motivos religiosos".

Agencia Estado,

30 Março 2006 | 21h04

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