Afegãos fogem com medo de recrutamento compulsório

A tentativa dos diferentes grupos armados dentro do Afeganistão de recrutar a população civil para lutar na guerra tem gerado um número ainda maior de refugiados. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os afegãos que chegaram ao Paquistão e ao Irã, nos últimos dias, alegaram que fugiram de seu país para não serem obrigados a pegar em armas. De acordo com o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Kris Janowski, não é apenas o Taleban que está "recrutando" civis, mas também a Aliança do Norte. "Muitos estão se refugiando nos países vizinhos por medo de serem forçados a participar dos conflitos. A verdade é que eles só querem viver em paz", afirmou o porta-voz. Segundo Janowski, hoje, uma família de etnia usbeque cruzou a fronteira em Chaman. "Eles contaram que deixaram o Afeganistão pois estavam sendo pressionados para lutar ao lado da Aliança do Norte", disse. Para evitar que mais civis sejam recrutados, a ONU está pedindo que os campos de refugiados não sejam construídos dentro do território do Afeganistão. "Os grupos militares estão indo aos acampamentos para recrutar as pessoas", explicou Janowski. O problema é que nem o Irã nem o Paquistão autorizaram a abertura de suas fronteiras para receber oficialmente os refugiados, que são obrigados a buscar rotas alternativas pelas montanhas para fugir do país. Muitos, porém, não conseguem chegar à fronteira e correm o risco de serem forçados a lutar. Hoje, a ONU constatou que, em algumas partes do território afegão, já começou a nevar. "Isso significa que teremos de acelerar ainda mais a entrega de ajuda humanitária às populações", afirma uma assessora da Unicef. Em pouco tempo, muitas das rotas terrestres utilizadas pelas organizações internacionais para levar alimentos para dentro do Afeganistão estarão bloqueadas pelo gelo. Leia o especial

Agencia Estado,

26 Outubro 2001 | 14h21

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