Afegãos julgam americanos que mantinham prisão clandestina

Três americanos acusados de manter uma prisão clandestina no Afeganistão foram levados hoje a um tribunal local onde garantiram ter contatos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, mais conhecido como Pentágono, informou um juiz. Durante a audiência preliminar, o líder do grupo, um ex-soldado americano chamado Jonathan K. Idema, admitiu ter administrado uma prisão clandestina à margem da lei afegã, disse o presidente do tribunal, Abdul Baset Bakhtyari.Idema insistiu que sua equipe deteve pessoas "genuinamente suspeitas" de pertencer à milícia fundamentalista islâmica Taleban ou à rede extremista Al-Qaeda. Os suspeitos foram mantidos em uma carceragem improvisada até duas semanas atrás, quando os americanos foram detidos. Segundo Idema, Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, quer vê-lo morto. "Bin Laden ofereceu recompensa de meio milhão de dólares pela minha cabeça", garantiu Idema a um jornalista da Associated Press Television News que tentou filmá-lo durante a audiência preliminar. Em seguida, o repórter foi obrigado a abandonar o recinto.As autoridades afegãs acusam os americanos e quatro cúmplices afegãos de tomarem reféns e maltratar 11 homens em uma casa em Cabul, a capital afegã. Se forem condenados, poderão sersentenciados a até 20 anos de reclusão. Autoridades americanas e afegãs negam qualquer vínculo com os suspeitos, indicando que eles seriam mercenários que tentam "combater o terrorismo" por conta própria. Enquanto estiveram à solta, os suspeitos usaram roupas militares e conseguiram enganar tanto a polícia afegã quanto as forças estrangeiras que atuam em Cabul, fazendo-os acreditar que eles atuavam de forma legítima.

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