Afegãos vêem com desconfiança novas promessas de ajuda

Cansados com o fato debilhões de dólares em ajuda ainda não terem transformado suasvidas, os afegãos, cujo país enfrenta a insurgência do grupoTaliban, consideram difícil ser otimista diante das promessasfeitas por países doadores de enviar mais dinheiro. "Se não encontrarmos uma forma eficiente de controlar oquanto de dinheiro foi gasto, onde foi gasto e em que foigasto, a ajuda não terá muito impacto, e isso mesmo que oAfeganistão receba 500 bilhões de dólares", disse MohammadAkram, um funcionário público que sustenta sua família --mulher e três filhos -- com um salário mensal de 60 dólares. Depois de forças lideradas pelos EUA terem tirado a milíciaTaliban do poder, em 2001, países doadores já enviaram 15bilhões de dólares para essa empobrecida nação da Ásia central,que luta para reerguer-se após três décadas de conflito armadoe que continua na linha de frente da chamada "guerra contra oterror." O governo do presidente afegão, Hamid Karzai, pediu mais 50bilhões de dólares dos doadores nos próximos cinco anos, masnão deve receber essa quantia. Pouco mais de 15 bilhões dedólares em ajuda foram prometidos em um encontro de paísesdoadores realizado em Paris. Esses países, no entanto, pediram que o governo de Karzaicombata a corrupção e coordene os programas de ajuda com maiseficiência. Quando foi eleito em 2004, o presidente era consideradoalguém cuja presença no poder faria com que a comunidadeinternacional continuasse enviando dinheiro para recuperar anação de 31 milhões de habitantes. Os afegãos, porém, tornam-se cada vez menos esperançosos eacreditam haver uma tendência quase ilimitada para desperdiçardinheiro, e isso por causa de uma permanente incompetênciaadministrativa. "Sabemos que milhões de dólares foram doados ao Afeganistãodurante o governo de Karzai, mas isso não afetou diretamente odia-a-dia do cidadão comum", afirmou Karima Sediqi, professoraque trabalha na zona oeste de Cabul. "Eu não recebo meu saláriohá vários meses. Eu tenho filhos para alimentar, os saláriossão muito baixos, não há controle de preços, não há segurança,não há água, não há proteção." "Os jovens aderem à insurgência e ao Taliban porque nãopossuem emprego ou salário", acrescentou. Alguns afegãos dizem ser necessário negociar com osinsurgentes, sob o risco de o ciclo de violência não terminarnunca. (Reportagem adicional de Hamid Shalizi)

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