Afegãos voltam a plantar papoulas

A papoula, planta-base da produção de ópio, proibida pelos talebans, está reaparecendo nos campos afegãos desde o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Afeganistão, informou hoje o Programa das Nações Unidas para o controle internacional de drogas. Segundo Bernard Frahi, diretor do programa, os camponeses das províncias de Uruzgan (centro-sul), Helmand (sul), Nangarhar (leste) e Kandahar (sudeste) retomaram o plantio a partir de outubro, provavelmente especulando com a queda dos talebans. Embora ainda não seja possível avaliar as proporções do fenômeno, Frahi afirmou que havia questionado a atitude dos dirigentes da Aliança do Norte em relação ao tráfico de entorpecentes, "um problema importante de segurança" para os países limítrofes, como Irã e Paquistão, que pode afetar a imagem da nova administração afegã aos olhos do mundo. No Afeganistão, o ópio, que pode ser conservado por até oito anos, tem um peso considerável na economia agrícola. Um hectare de plantação de papoula pode produzir até 50 quilos de heroína, cujo preço no mercado pode chegar a US$ 190 o quilo. Em 1999, o Afeganistão produzia 74% do ópio consumido no mundo. Em 2000, a produção registrou uma queda de 94%, como conseqüência de um decreto do líder supremo do Taleban, mulá Mohammad Omar, que proibiu seu cultivo depois de um difícil acordo com a ONU.

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