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Afegãos votam em ambiente tenso

Cerca de 300 mil soldados trabalham para garantir a segurança da votação

Reuters, Efe e BBC

20 de agosto de 2009 | 03h51

As ruas do Afeganistão tinham uma atmosfera tensa na manhã desta quinta-feira, 20, enquanto os afegãos chegavam aos centros de votação para uma eleição presidencial antecipada que os combatentes talebans haviam prometido interromper com ataques.

 

Milhões de afegãos devem comparecer às urnas para eleger o novo presidente do país e membros dos conselhos locais das províncias.

 

Tendas e negócios permaneciam fechados e esquadrões de polícia registravam os poucos automóveis que circulavam em Cabul. Na cidade de Kandahar, mais ao sul, pequenos foguetes caíram pouco antes da abertura dos centros de votação, disse o governador da província, Tooryalai Wesa, após depositar seu voto.

 

Em Cabul, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, foi o primeiro a votar, cercado de intensas medidas de segurança em um colégio eleitoral do centro, nas segundas eleições presidenciais realizadas no país desde a queda do regime taleban.

 

Vestido com traje tradicional afegão e coberto por um manto verde, o chefe de Estado depositou seu voto logo no início da manhã (hora local), aproximadamente meia hora após a abertura dos Colégios.

 

Um jornalista da Reuters escutou duas explosões, e duas fontes de segurança disseram que quatro pessoas ficaram feridas.

 

Karzai enfrenta a oposição inesperadamente sólida de seu ex-ministro de Relações Exteriores e candidato nos comícios, Abdullah Abdullah. As sondagens mostram que Karzai ganharia por uma ampla margem mas

que não obterá a maioria necessária para evitar um segundo turno.

 

A eleição também é uma prova para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que ordenou um expressivo envio de tropas este ano como parte de uma estratégia para reverter o avanço dos talebans.

A milícia do Taleban ameaçou atrapalhar a votação, que ocorre em meio a um aumento na violência do país.

 

Onda de violência

 

Pelo menos dois homens morreram em um tiroteio com as forças de segurança em Cabul, em um dia de eleições presidenciais no Afeganistão, em que também houve três ataques com explosivos no norte e no sul do país.

 

Um policial informou à Agência Efe que um grupo de homens armados protagonizou um tiroteio com as forças de segurança nos bairros de Kort e Naw, na capital.

 

No choque, dois homens foram mortos, um foi detido e os outros dois conseguiram escapar, segundo a mesma fonte.

 

De acordo com uma testemunha, o tiroteio aconteceu em um prédio de três andares, situado perto de uma escola e em frente a uma delegacia, e os corpos ainda permanecem ali. O incidente não foi confirmado pelo Ministério do Interior.

 

No norte do país, dois mísseis caíram esta manhã perto de um colégio eleitoral na cidade de Kunduz, capital da província homônima, como explicou à Efe uma fonte das forças de segurança, que disse que o ataque não deixou vítimas.

 

Também nesta quinta-feira, em plenas eleições, uma bomba explodiu perto de um quartel policial na província de Takhar (norte), informou o chefe da Polícia local, Ziauddin Mahmoodi. Segundo ele, como consequência da explosão um muro do quartel foi destruído.

 

Nessa mesma província, dois supostos terroristas suicidas que tentaram entrar em um colégio eleitoral foram detidos no distrito de Farkhar.

 

Outros dois mísseis atingiram os arredores da cidade de Kandahar (sul), um dos redutos dos talebans, como informou o governador provincial, Tooryalai Wesa, em declarações à imprensa após votar.

 

Na quarta-feira, 19, a capital, Cabul, foi palco de uma nova onda de violência. Soldados enfrentaram insurgentes que haviam invadido um banco localizado a algumas centenas de metros do palácio presidencial. Três insurgentes morreram.

 

Ainda faleceram três soldados norte-americanos na quarta-feira, em ataques no sul do Afeganistão, informou a Otan, cujas forças estavam em estado de alerta, à Agência France Press.

 

Cerca de 300 mil soldados afegãos e membros da Isaf (a força de manutenção de paz liderada pela Otan) estão trabalhando durante o pleito para garantir a segurança de cerca de 17 milhões de eleitores.

 

As urnas foram abertas às 7h, horário local (23h30 de quarta-feira, horário de Brasília) em quase de 7 mil postos de votação em todo o país.

 

 

Atualizada às 5h02 para acréscimo de informações

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