Afresco do século 13 danificado em terremoto volta à basílica na Itália

O afresco de São Jerônimo, atribuído a Giotto di Bondone, pintor e arquiteto italiano do século 13, voltou hoje a resplandecer na Basílica de São Francisco de Assis, exatamente cinco anos depois do terremoto que o danificou. As recentes técnicas de computação permitiram reconstituir a imagem do santo - uma tarefa que, anos atrás, era considerada impossível. O afresco, rompido em mais de 40 mil fragmentos, foi reinaugurado nesta quinta-feira, durante um seminário no qual foram exibidas as fases da restauração. O minucioso trabalho foi realizado por 15 profissionais do Instituto Central de Restauração (ICR) e apoiado por padres franciscanos. O governo e o Fundo Europeu subvencionaram a obra.Os fragmentos recolhidos foram divididos de acordo com as cores e categorias e depois reagrupados utilizando fotos como guia. "Obteve-se aqui um resultado fantástico e inesperado", afirmou o porta-voz do Sagrado Convento de Assis, sacerdote Enzo Fortunato, ao comentar a restauração."Dias se passaram sem que nada mudasse ou apenas uma peça fosse colocada", disse a chefe dos restauradores, Paola Passalacqua. "Foi um trabalho manual, muito lento."Em 26 de setembro de 1997, dois técnicos e dois franciscanos que supervisionavam os efeitos de um abalo sísmico anterior morreram na basílica.O autor do afresco, Giotto di Bondone, nasceu na localidade de Vespignano, perto de Florença, entre 1266 e 1276, e foi discípulo de Giovanni Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século XIII.A próxima restauração - que, como a do afresco de São Jerônimo, deverá durar cinco anos - será a do afresco de São Mateus, obra de Cimabue (século 12), que caiu sobre o altar da basílica, rompendo-se em mais de 120 mil fragmentos. O trabalho será mais complicado, pois parte do afresco transformou-se em pó e a composição só tem duas cores: amarelo e vermelho.

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