AP Photo/Nardus Engelbrecht
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África do Sul afirma ter superado quarta onda da covid provocada pela Ômicron e alivia restrições

Autoridades de saúde do país identificaram uma queda nos novos casos da doença na semana do Natal e acreditam que o pico da onda provocada pela nova variante ficou para trás

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2021 | 10h14

Em meio ao aumento do número de casos de covid-19 relacionados à variante Ômicron ao redor do mundo, a África do Sul - país onde a nova cepa do coronavírus foi detectada inicialmente - suspendeu o toque de recolher noturno e outras medidas restritivas um dia antes do réveillon, na quinta-feira, 30, afirmando que o país superou a quarta onda da pandemia provocada pela mutação.

Após uma reunião de gabinete realizada na quinta-feira, o governo sul-africano emitiu um comunicado no qual afirmou que todos os indicadores de saúde apontam que o país pode ter ultrapassado o pico da quarta onda de infecções. Segundo os dados oficiais do governo, o número de infecções caiu em cerca de 30%, para pouco menos de 90 mil novos casos na semana encerrada em 25 de dezembro, abaixo dos 127 mil registrados no período anterior. O número de internações hospitalares também foi significativamente menor na última semana.

Com a melhora registrada pelos indicadores de saúde, as autoridades suspenderam medidas restritivas como o toque de recolher vigente até então, da meia-noite às 04h. Restaurantes e bares poderão servir bebidas alcoólicas após as 23h, e estão autorizadas reuniões em espaços fechados com até 1 mil pessoas, desde que haja distanciamento social - em espaços ao ar livre, o limite máximo aumenta para 2 mil pessoas. Continua valendo, porém, a regra sobre uso de máscara em áreas públicas.

A passagem relativamente rápida da última onda pandêmica na África do Sul provavelmente será observada com atenção em muitos outros países que lutam contra um aumento nas infecções causadas pela Ômicron. Mas especialistas alertam que usar os dados relativos ao país de maneira genérica pode não ser sensato, uma vez que as características demográficas - população jovem - e aspectos climáticos - o país está entrando no verão do hemisfério sul, época do ano em que doenças respiratórias são menos frequentes - podem ter relação com os dados observados.

Em um artigo revisado por pares divulgado na terça-feira, 28, pesquisadores sul-africanos novamente destacaram a "redução da gravidade da doença" após estudar dados de 466 pacientes infectados com a covid-19 recentemente hospitalizados em Tshwane, uma área urbana que foi gravemente atingida pela Ômicron.

Os cientistas descobriram que os pacientes precisavam, em média, de quatro dias no hospital, cerca de metade do que era necessário no início da pandemia.

"Uma imagem mais clara surgiu agora que estamos bem além do pico dessa onda", escreveu Fareed Abdullah, do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul e principal autor do estudo, em uma postagem no Twitter. "Esta onda da Ômicron acabou na cidade de Tshwane. Foi mais uma inundação do que uma onda"./ W.POST

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