África do Sul barra Dalai Lama, e prêmios Nobel ameaçam boicote

Vários vencedores do prêmio Nobel da Paz ameaçaram boicotar uma conferência na África do Sul após o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, ter tido seu visto negado.

AGNIESKKA FLAK, REUTERS

23 de março de 2009 | 15h30

Ele deveria acompanhar os vencedores do Nobel da Paz Desmond Tutu, Martti Ahtisaari e FW de Klerk, e também o Comitê do Nobel da Paz, da Noruega, em conferência marcada para o dia 27 de março.

"Se o Dalai Lama não vier, eu não irei... Estou muito frustrado", disse Tutu à Reuters.

O jornal sul-africano Sunday Independent disse que o visto do Dalai Lama foi negado devido à pressão do governo chinês. Autoridades diplomáticas não foram encontradas para comentar.

A China é uma das maiores investidoras na África e importante parceira comercial.

O porta-voz do governo, Thabo Masebe, disse que a presença do Dalai Lama na África do Sul não era de interesse do país neste momento.

A conferência deve usar o futebol como uma arma na luta contra a xenofobia e o racismo, a um ano da Copa do Mundo 2010.

"A atenção do mundo sobre nós é em relação a sediarmos a Copa do Mundo no ano que vem e queremos que isso continue... A presença do Dalai Lama traria outras questões sob atenção", disse Masebe à Reuters.

A África do Sul se auto define como um modelo de democracia e de direitos humanos desde o fim do apartheid em 1994.

O Dalai Lama fugiu do Tibete em 1959 e criou um governo tibetano no seu exílio na Índia após uma revolta mal sucedida contra o controle chinês.

O líder espiritual foi convidado para participar da conferência por Tutu, De Klerk e o ex-presidente Nelson Mandela.

O Comitê Nobel norueguês, que entrega anualmente o prêmio em Oslo, criticou a decisão sul-africana.

"É impossível que façamos parte um evento no qual um dos principais participantes não pode entrar no país", disse Geir Lundestad, secretário do Comitê.

(Reportagem adicional de John Acher em Oslo)

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