África do Sul lembra os 20 anos da libertação de Mandela

Ex-presidente deve fazer discurso à nação; data marcou o apartheid, fim do regime de minoria branca

BBC Brasil, BBC

11 de fevereiro de 2010 | 11h15

Multidão comemora data história ao pé da estátua de Mandela. Jon Hrusa/Efe

 

DRAKENSTEIN - Os sul-africanos comemoram nesta quinta-feira, 11, o 20º aniversário da libertação de Nelson Mandela da prisão, episódio considerado um marco do fim do regime de segregação entre negros e brancos imposto pela minoria branca no país.

 

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Veteranos da campanha contra o apartheid refizeram o caminho de Mandela quando ele deixou a prisão Victor Verster, perto da Cidade do Cabo, onde passou os últimos meses dos seus 27 anos de prisão. Uma multidão admirou a estátua de 3 metros, erguida na prisão em 2008, representando os primeiros passos de Mandela como um homem livre.

A ex-mulher do líder sul-africano, Winnie Mandela, era esperada para liderar a marcha desta quinta-feira, mas um porta-voz disse que ela não apareceu porque seria "doloroso demais". Mais tarde, Mandela, que tem 91 anos de idade, deve fazer uma rara aparição pública em um discurso especial à nação.

 

Quatro anos após a libertação, os sul-africanos realizaram sua primeira eleição com a participação dos negros, elegendo Mandela presidente. Ele deixou o cargo após um mandato de cinco anos, ajudando a enraizar a democracia na África do Sul, em um continente onde os políticos em geral se mantêm no poder por meio de fraudes e da violência.

Mandela também é adorado no país por sua atuação em prol da reconciliação racial, garantindo uma transição pacífica, evitando a ocorrência na África do Sul dos períodos de caos e destruição das guerras anticoloniais no continente.

 

Depoimentos

 

"É possível que lembremos onde cada um de nós estava quando Nelson Mandela saiu livre, mas acho que vários de nós não imaginavam que estaríamos vivendo em uma África do Sul semelhante ao que ela é hoje", afirmou Cyril Ramaphosa, que estava à frente de um comitê que teve de proteger Mandela após a sua libertação.

Christo Brand, ex-carcereiro de Mandela, diz que há 20 anos "esperava que não ocorresse derramamento de sangue". "Tudo funcionou perfeitamente", afirma agora. "E eu conheço a forma como Mandela negocia. Ele estava realmente pensando sobre o outro lado também. Ele não pensa só nos negros do país, mas também nos brancos. E estudou e percebeu os temores dos brancos neste país." Brand diz ainda que Mandela "encontrou uma boa solução para a África do Sul."

Respeito

A imprensa sul-africana afirma que o atual presidente, Jacob Zuma, espera tomar emprestado um pouco do brilho e do respeito que a nação dedica a Mandela por ocasião do aniversário de sua libertação.

O principal partido de oposição da África do Sul acusou Zuma recentemente de contradizer a mensagem do governo sobre a prevenção do vírus HIV, após a imprensa local revelar que ele teve uma filha fora do casamento no ano passado.

Zuma também é criticado pela oposição por ser polígamo, seguindo as tradições tribais zulus, em um país em que cerca de 5 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV.

 

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