África do Sul pede divulgação de resultados no Zimbábue

País de junta ao coro internacional que pede que o governo publique resultado de eleições

Graham Bowley, NEW YORK TIMES

17 de abril de 2008 | 16h06

Em uma mudança de tom, a África do Sul pediu nesta quinta-feira, 17, que o governo do Zimbábue divulgue os resultados das eleições presidenciais realizadas no último dia 29 de março e que jogaram a o país em uma crise política.  Veja também:Justiça nega divulgação de resultado eleitoral no Zimbábue O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que atuou como mediador entre a oposição e o governo, agiu até agora nos bastidores em negociações com o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe.  Nesta quinta-feira, 17, no entanto, um porta-voz do governo sul-africano descreveu a situação no Zimbábue como "urgente". "Quando há eleições e os resultados não são divulgados depois de duas semanas, há, obviamente, uma grande preocupação" disse o porta-voz Themba Maseko a repórteres na Cidade do Cabo. "A África do Sul, como o resto do mundo, está preocupada com o atraso na publicação dos resultados e com a ansiedade que isto está gerando", disse Maseko.  O presidente Thabo Mbeki tem sido um forte apoiador de Mugabe e não ficou imediatamente claro se a declaração de Maseko reflete uma mudança de opinião de Mbeki.  As atitude de Mbeki em relação à questão foi alvo de críticas em seu país e no exterior, por sua insistência em usar uma diplomacia silenciosa com o Zimbábue, onde o câmbio está muito desvalorizado e a economia está em colapso, trazendo escassez de comida, combustível e um índice de desemprego que chega a 80%. Milhões de zimbabuanos estão migrando para a África do Sul, a maior potência regional.  Morgan Tsvangirai, o líder da oposição no Zimbábue, insiste em ter vencido Mugabe na eleições, mas o partido do governo diz que nenhum foi vencedor e que é necessária a realização de um segundo turno. A Comissão Eleitoral do Zimbábue continua se recusando a divulgar os resultados.  Durante uma conferência de imprensa na Cidade do Cabo, Tsvangirai fez críticas pesadas sobre o papel de Mbeki durante a crise.  Durante o final de semana, Mbeki voou para Harare para um encontro com Mugabe, depois do qual o presidente da África do Sul saiu dizendo que não achava que o Zimbábue estivesse passando por uma crise política.   Apesar da posição de Mbeki, o partido do governo sul-africano, o Congresso Nacional Africano, descreveu a situação no país como preocupante. Na última quarta-feira, 16, Jacob Zuma, líder do partido, mostrou desacordo com as posições do presidente Mbeki sobre o Zimbábue." A região não pode suportar uma crise mais profunda no país", disse Zuma em um discurso na Câmara de Comércio Africana.   No bojo de várias críticas internacionais, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse nesta quinta-feira, 17, que os países vizinhos do Zimbábue têm que fazer mais para resolver a crise, enquanto classificava os últimos anos do governo Mugabe, como "abomináveis".  No último domingo, 13, líderes políticos do sul da África reunidos em Lusaka, Zâmbia, pediram que o governo do Zimbábue permita que representantes da oposição estejam presentes quando os votos das eleições forem entabulados, para que se tenha certeza de que um segundo turno, se necessário, será feito em um ambiente seguro.  Ainda na quinta-feira,17, o presidente Mugabe acusou Tsvangirai de estar comprometido com a Grã-Bretanha, antiga metrópole do país. Mugabe foi um dos principais atores do processo de independência do Zimbábue. O secretário-geral das Nações Unidas, BanKi-moon, disse ao Conselho de Segurança na quarta-feira, 16, que ele estava "muito preocupado" com o atraso na divulgação dos votos e que observadores internacionais deveriam monitorar um eventual segundo turno. No mesmo encontro, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que é "obvio que Mugabe quer reverter um processo eleitoral que ele perdeu". "Ninguém acredita, depois de ver as pesquisas, que Mugabe tenha vencido as eleições", disse Brown. "Uma eleição roubada nunca é uma eleição democrática", declarou Brown.

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