África do Sul tenta conter ataques contra imigrantes

A polícia sul-africana e o partidogovernista CNA ampliaram nesta terça-feira seus esforços paracontrolar a onda de violência contra imigrantes que já matou 24pessoas e fez milhares de estrangeiros buscarem refúgio emalbergues. A polícia tenta há mais de uma semana controlar os ataquescontra os estrangeiros, que são acusados por moradores debairros pobres de tirarem empregos dos nativos e cometeremcrimes. A imprensa disse que mais duas pessoas foram mortasdurante a madrugada de terça-feira. Há casos de pessoas queimadas vivas, de mulheres estupradase de saques a lojas e residências. Mais de 200 pessoas foramdetidas desde o início dos distúrbios, no dia 11, no bairro deAlexandra. O CNA (Congresso Nacional Africano) disse ter enviadofuncionários para fazer um apelo por calma nos bairros maisturbulentos, e que depois disso a situação está sendocontrolada. A polícia também ampliou sua presença nos lugaresmais violentos. "Muita gente do CNA está no terreno e as coisas estão seacalmando", disse Jesse Duarte, porta-voz do partido, a umarádio local. A África do Sul também vem sendo sacudida por uma criseenergética, pela inflação e pela insatisfação dos pobres emrelação a um suposto viés do presidente Thabo Mbeki em favor doempresariado. Estima-se que 10 por cento dos 50 milhões de habitantes daÁfrica do Sul sejam estrangeiros -- normalmente pessoas depaíses ainda mais pobres, atraídas pelo trabalho em minas,fazendas e casas, e pelo fato de o país ter uma das políticasmais liberais do mundo na recepção a imigrantes e refugiados. O maior grupo -- fala-se em 3 milhões -- é de pessoas quefugiram da crise econômica no vizinho Zimbábue. A turbulênciapolítica no país, resultado de um impasse eleitoral que searrasta desde março, dá pouco incentivo para um retorno. Críticos do governo dizem que o tratamento tolerante queMbeki dispensa ao governo do Zimbábue contribui para oprolongamento da crise política. Os imigrantes dizem que, ao invés de serem bandidos, sãovítimas habituais da criminalidade. Milhares deles serefugiaram em delegacias, igrejas e prédios públicos, segundoentidades de direitos humanos. Mbeki e o presidente do CNA, Jacob Zuma, pediram o fim dosataques, que contradizem a imagem de tolerância habitualmenteatribuída à África do Sul. O país espera receber 500 milvisitantes para a Copa do Mundo de 2010. A violência indica uma crescente frustração entre ossul-africanos pobres que se vêem excluídos das políticaspúblicas destinadas a atrair investimentos externos. "Uma administração ruim e ineficaz criou um reservatório deexpectativas não atendidas que explodiram em Alexandra e agorase espalharam para várias outras áreas", disse nota divulgadana terça-feira pelo Instituto Sul-Africano das RelaçõesRaciais. O tesoureiro-geral do CNA, Mathers Phosa, propôs no fim desemana a convocação de eleições antecipadas para encerrar ogoverno de Mbeki, que termina em 2009. No ano passado, Mbekifoi destronado da liderança partidária por Zuma, agora vistocomo favorito para ser o próximo presidente do país.

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