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África enviará força militar contra rebeldes do Congo

Secretária de Estado Hillary Clinton pediu que Ruanda corte o apoio aos insurgentes

AE, Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 15h21

KAMPALA - Os Estados da África Central e Oriental concordaram nesta terça-feira, 7, em enviar uma força militar conjunta para subjugar os insurgentes do leste da República Democrática do Congo (antigo Zaire), região rica em minerais, mas turbulenta do país centro-africano. Ao mesmo tempo, o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, começou uma reunião com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, na qual os dois discutem a formação da força militar conjunta para combater os rebeldes e os grupos de bandidos que atuam no leste do Congo.

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Todas as iniciativas ocorrem logo após a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que fez um apelo pessoal a Ruanda para que corte todo o apoio que fornece aos insurgentes. "Nós pedimos aos países da região, incluindo Ruanda, que trabalhem juntos para cortar todo o apoio aos rebeldes do M23, que eles sejam desarmados e levados à Justiça", disse Hillary, após conversar com o chanceler da África do Sul em Pretória.

O governo de Kinshasa acusa Ruanda de armar e financiar os insurgentes do M23, que combate tropas regulares do Congo desde abril no leste congolês. Já o governo de Ruanda acusa seu vizinho de planejar ataque contra rebeldes ruandeses da etnia hutu na mesma região.

O anúncio desta terça-feira também se segue à cúpula da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR, na sigla em inglês), uma organização política que reúne 11 países da África central e austral. A ministra das Relações Exteriores de Ruanda, Louise Mushikiwabo, disse que a força deverá ser enviada logo após a formação ao leste do Congo, e que seu objetivo é evitar uma nova e sangrenta guerra pela região inteira, como ocorreu no final da década de 1990.

"A força regional será enviada o mais cedo possível, logo após acertarmos os detalhes finais na próxima reunião", disse a chanceler de Ruanda. A próxima reunião ocorrerá em 15 de agosto.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um "fim imediato a qualquer apoio" concedido ao M23, que nas últimas semanas derrotou as tropas da República Democrática do Congo em várias cidades mineradoras do leste do país. Os rebeldes congoleses do M23 são chefiados pelo general desertor Bosco Ntaganda, que abandonou o governo de Kinshasa em abril, levando centenas de soldados.

Os combates mais recentes que irromperam no leste do Congo podem reviver o conflito pan regional africano, que durou do final dos 1990 até meados da década passada, deixando mais de 6 milhões de mortos, além de aumentar o contrabando de minerais como estanho, ouro e tântalo, usado para fabricar componentes de microcomputadores. O Congo é o terceiro maior produtor mundial de tântalo, de acordo com o Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação. O medo é que Bosco Ntaganda use o contrabando de minerais para financiar os rebeldes.

Com Dow Jones

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