Fethi Belaid/AFP
Fethi Belaid/AFP

África passa pelo pior momento da pandemia, com hospitais colapsados e vacinas em falta

Só 1% da população do continente foi completamente imunizada até agora; Namíbia e Tunísia registram mais mortes per capita do que qualquer outro país

Abdi Latif Dahir e Josh Holde, The New York Times, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2021 | 14h00

TUNIS - A variante Delta está impactando fortemente a África. Na última semana, as mortes por covid-19 aumentaram em 40% e os hospitais estão entrando em colapso com a falta de leitos, oxigênio e profissionais disponíveis.  A Namíbia e a Tunísia estão relatando mais mortes per capita do que qualquer outro país.

Enquanto isso, a vacinação dos africanos ainda caminha devagar, com apenas 1% deles vacinados. A meta de imunizar 20% até o fim do ano parece distante, porque faltam doses no mercado mundial e há previsão de escassez de suprimentos.

Médicos africanos afirmam que outros países precisam ser solidários com a África. “A culpa recai diretamente sobre os países ricos”, disse Githinji Gitahi, comissário da Africa Covid-19 Response, uma força-tarefa continental. “Uma vacina adiada é uma vacina negada.”

A África aguardava doses vindas da Covax, uma iniciativa global da OMS para distribuição gratuita de imunizantes, mas a Índia proibiu a exportação de doses da Astrazeneca, atrasando o cronograma. A previsão é de que até outubro, as vacinas da Covax não consigam cobrir nem 7% da população africana.

Sem expectativas de que os países façam compras por conta própria, especialistas africanos insistem que os países ricos devem ter mais responsabilidade. De acordo com dados da Airfinity, empresa de análises, quase todas as vacinas feitas em 2021 já foram vendidas e alguns dos países mais ricos terão 1,9 bilhão de doses a mais do que o necessário para vacinar até o final de agosto, segundo a campanha One.

“Covax é uma ideia realmente adorável”, disse Andrea Taylor, diretora assistente do Duke Global Health Innovation Center, referência em pesquisas sobre o coronavírus. "Mas não levou em consideração como o comportamento humano realmente funciona na vida real. Não assumiu que os países ricos agiriam em seu próprio interesse."

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