África pede que ricos cumpram promessas de ajuda

Líderes africanos pediram nasegunda-feira que, apesar das atuais turbulências econômicas,os países ricos cumpram suas promessas de ajuda aodesenvolvimento e combate à pobreza no continente. O presidente da Tanzânia e da União Africana, JakayaKikwete, disse numa reunião da Organização das Nações Unidas(ONU) que os países ricos têm "obrigação moral" de ajudar ospobres, mesmo com o eventual agravamento da crise. Segundo ele, esse dinheiro é especialmente importanteporque muitos países da África estão crescendo aceleradamente eprecisam construir uma infra-estrutura de transportes e energiaque permita levar seus produtos aos mercados internacionais. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lembrou que aÁfrica está ficando para trás no cumprimento das Metas deDesenvolvimento do Milênio, estabelecidas em 2000 para seremalcançadas até 2015, especialmente na redução da pobreza. Ele disse que é preciso um esforço concentrado para ajudara África a superar novos desafios, como o aumento dos preços dealimentos e combustíveis e a mudança climática. Ban, que falou sobre a pobreza no seu discurso anual àAssembléia Geral da ONU, disse que a África deveria receber 72bilhões de dólares anuais em ajuda. "Esse preço pode parecer assombroso, mas é factível e seenquadra sob compromissos de ajuda existentes", disse ele,lembrando que os países industrializados gastaram em 2007 267bilhões de dólares só em subsídios agrícolas. O plano do governo dos EUA para auxiliar instituiçõesfinanceiras em dificuldades equivale a 10 vezes a quantia queBan pediu para a África. A crise financeira elevou o preçoglobal do petróleo em mais de 20 por cento, recorde de aumentoem um só dia -- o barril superou os 120 dólares nasegunda-feira. Kikwete disse que, embora a África possa ser rica emreservas petrolíferas, grande parte dessa riqueza ainda não éaproveitada. "Vamos planejar nosso próprio desenvolvimento, mas temosrecursos inadequados para conseguir implementar esses planos, equeremos que nossos esforços sejam complementados pelos paísesdesenvolvidos", disse ele. DOADORES O presidente do Banco de Desenvolvimento Africano, DonaldKaberuka, disse que a crise nos países desenvolvidos vai afetara África, especialmente se houver um declínio acentuado nademanda por matérias-primas. "Esta crise é séria, mas francamente espero que não leve aesforços reduzidos para ajudar os países em desenvolvimento,porque isso seria uma frustração", declarou o dirigente. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que a Áfricavive um momento decisivo, mas que os governos precisam evitarmais dívidas, que exigiriam um novo perdão dos países ricos nofuturo. "Não montemos hoje o cenário para uma nova crise da dívidaem 2030", disse ele, que questionou restrições dos doadorestradicionais a determinados projetos. Grandes doadores emergentes, como a China, estão ampliandoo financiamento de projetos energéticos e de transportes naÁfrica, em geral em países ricos em recursos naturais, efazendo vista grossa para abusos a direitos humanos ecorrupção. Kikwete disse que China, Índia e Brasil estão investindo emprojetos necessários de infra-estrutura, mas que sua capacidadede ajudar a África é limitada.

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