África rejeita propostas da Europa para novos acordos comerciais

A maioria dos líderes africanos rejeitouno domingo os novos acordos comerciais propostos pela UniãoEuropéia, dificultando os esforços para criar uma nova parceriaeconômica na primeira cúpula UE-África em sete anos. O presidente senegalês, Abdoulaye Wade, rejeitouterminantemente a pressão exercida por Bruxelas para impornovos acordos comerciais até 31 de dezembro, quando chega aofim a validade de um pacto de acordos comerciais preferenciaisda Organização Mundial do Comércio. A UE quer substituir os acordos comerciais prestes aterminar por acordos temporários, os chamados Acordos deParceria Econômica (EPAs, na sigla em inglês), criticados porgrupos de combate à pobreza por não garantirem proteção aosagricultores pobres e ao setor industrial frágil da África. "Não vamos mais discutir os EPAs, já os rejeitamos. Vamosnos reunir para ver o que podemos colocar no lugar dos EPAs",disse Wade, em tom irado, a jornalistas no segundo e último diada cúpula realizada em Lisboa, às margens do Tejo. "Concordo com o espírito de se criar um novo relacionamento(com a Europa), mas precisamos definir o que é esserelacionamento", disse Wade, acrescentando: "Está claro que aÁfrica rejeita os EPAs." Enquanto uma dúzia de países africanos concordourecentemente com acordos comerciais provisórios com a UE, amaioria dos líderes africanos afirma que precisa de mais tempopara preparar suas economias e sociedades mais fracas para oimpacto do fim dos acordos comerciais preferenciais. O presidente da Comissão Européia, José Manuel DurãoBarroso, rejeitou a alegação africana de que Bruxelas teriaprocurado pressionar fortemente os países com relação aocomércio, dizendo em comunicado à imprensa que "é indispensávelsalvaguardar os fluxos comerciais" entre Europa e África apartir de 31 de dezembro. "Nosso objetivo sempre foi e ainda é concluir Acordos deParceria Econômica com o objetivo de fortalecer a integraçãoregional e levar o desenvolvimento genuíno aos paísesafricanos", disse Barroso. "Obviamente isso é difícil, porque requer mudanças",acrescentou ele. "É um desafio para africanos e europeus, e vainecessitar de tempo."

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