África terá crescimento forte e precisa agir contra pobreza, diz Banco Mundial

O crescimento econômico da África Subsaariana deve acelerar para mais de 5 por cento nos próximos três anos, superando em muito a média mundial, mas a região precisa fazer mais para converter isso em redução da pobreza, afirmou o Banco Mundial nesta segunda-feira.

PASCAL FLETCHER, Reuters

15 de abril de 2013 | 14h01

Em seu mais recente relatório Africa's Pulse, que analisa as perspectivas para a região, o banco viu a alta dos investimentos, os preços elevados de commodities e a retomada na economia global provocando esse salto de crescimento no continente mais pobre do mundo.

O fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) para a África Subsaariana está previsto para aumentar a níveis recordes a cada ano durante os próximos três anos, chegando a 54 bilhões de dólares até 2015.

Isso comparado a 37,7 bilhões de dólares em 2012, um aumento de 5,5 por cento em um ano em que os fluxos de IED para os países em desenvolvimento caíram, em média, 6,6 por cento, acrescentou o relatório.

O Banco Mundial, um credor multilateral sediado em Washington, previu que o crescimento na África Subsaariana seria de 4,9, 5,1 e 5,2 por cento para 2013, 2014 e 2015, respectivamente.

Em 2012, o crescimento da região foi estimado em 4,7 por cento.

"Se forem devidamente aproveitadas para desencadear todo o seu potencial, essas tendências têm a promessa de mais crescimento, bem menos pobreza e de acelerar a prosperidade compartilhada por países africanos no futuro próximo", disse Punam Chuhan-Pólo, economista do departamento da África do Banco Mundial.

Em comparação com o crescimento esperado da África, o PIB mundial foi projetado para expandir-se 2,4 por cento em 2013 e, gradualmente, fortalecer a 3,0 e 3,3 por cento em 2014 e 2015.

O relatório disse que uma década de forte crescimento reduziu a pobreza na África Subsaariana, com dados provisórios mostrando que, entre 1996 e 2010, a parcela de africanos que vivem com menos de 1,25 dólar por dia caiu de 58 por cento para 48,5 por cento.

Mas economistas do Banco Mundial advertiram que a alta desigualdade e uma forte dependência da mineração e da exportação de minerais em muitos países tinham amortecido o efeito do crescimento da renda sobre a redução da pobreza.

"Embora o quadro geral que emerge dos dados é que as economias da África têm se expandido de forma robusta e que a pobreza está caindo, o (cenário) agregado esconde uma grande diversidade no desempenho, mesmo entre os que crescem mais rápido na África", disse Shanta Devarajan, economista-chefe do Banco Mundial para a África.

Observando que maior crescimento não significa automaticamente menos pobreza, o relatório apontou que países ricos em recursos como o Gabão, Guiné Equatorial e Nigéria tiveram desempenho pior do que os países com menos recursos.

O Banco Mundial disse que a melhor administração de riquezas minerais, o desenvolvimento da agricultura e uma gestão cuidadosa da rápida urbanização ajudariam os governos africanos a aproveitarem a oportunidade para tirar mais pessoas da pobreza.

O banco acrescentou que o investimento contínuo em infraestrutura é fundamental para manter e reforçar o crescimento.

Entre os desenvolvimentos positivos estava a propagação da exploração de energia na África Oriental, que levou à abertura de vários poços de petróleo e gás.

No sul, Moçambique deveria atrair mais investimento estrangeiro em seus enormes depósitos de carvão e descobertas de gás offshore, e a Zâmbia continuaria a ver o aumento dos investimentos em seu setor de cobre.

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