Agência antidrogas da ONU critica Uruguai

Para Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, legalização da maconha no país viola acordos internacionais e estimula ‘vício precoce’

Jamil Chade, correspondente em Genebra,

11 de dezembro de 2013 | 23h41

GENEBRA - O Uruguai está violando acordos internacionais com a adoção de uma novas política em relação a maconha. O alerta partiu da agência da ONU responsável pelo cumprimento de tratados sobre drogas, com sede em Viena, que qualifica a nova diretriz do governo de José Mujica como "ilegal".

Em comunicado, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (INCB, na sigla inglês) ataca a posição do governo uruguaio, lamenta a decisão e alerta que Montevidéu não levou em consideração as consequências negativas que a medida terá para o restante da sociedade. Para a ONU, a criação do primeiro mercado mundial de cultivo e venda de maconha mantido pelo Estado "contribui para o vício precoce".

O chefe da INCB, Raymond Yans, declarou-se "surpreso" diante da decisão uruguaia de "quebrar um tratado acordado universalmente e endossado internacionalmente". O acordo em questão seria de 1961 e foi assinado por mais de 150 países, entre eles o Uruguai. A convenção exige que os Estados limitem o uso da maconha para objetivos científicos e médicos.

Para Yans, o país também ignora estudos científicos que "confirmam que a maconha vicia, com sérias consequências para a saúde das pessoas". "A maconha não tem apenas o risco de dependência, mas também afeta funções fundamentais do cérebro, no potencial de QI, desempenho acadêmico e no trabalho", afirmou o chefe da entidade. "Fumar maconha é mais cancerígeno que cigarro."

A entidade ainda questiona o argumento de que a nova lei ajudará a reduzir crimes, alertando que são "alegações precárias e sem substância". Yans reforçou que a medida não irá proteger os jovens, mas sim "causar um efeito perverso de encorajar muitos a experimentarem a droga cada vez mais cedo".

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) também atacou a nova lei uruguaia. "É lamentável que, no momento em que o mundo está engajado em debater a situação das drogas, o Uruguai se antecipe aos debates organizados para 2016", declarou David Dadge, porta-voz da entidade. Para ele, o problema das drogas é internacional e os países precisam trabalhar de forma coordenada.

Tudo o que sabemos sobre:
UruguaiONUmaconhaJosé Mujica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.