Hannah Mcneish/Efe
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Agência chinesa rebate comentário de Hillary em viagem à África

Secretária de Estado insinuou que governo está apenas interessado nos recursos naturais da região

Reuters

03 de agosto de 2012 | 08h47

PEQUIM - A agência de notícias estatal chinesa Xinhua retrucou na sexta-feira, 3, as insinuações feitas pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, de que o governo chinês está apenas interessado na África por seus recursos naturais, acrescentando mais uma camada de tensão aos laços já estremecidos entre China e EUA.

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Falando do Senegal no início da semana, Hillary não identificou a China, mas disse que os EUA queriam uma "parceria que agregasse valor, ao invés de extraí-lo", afirmando ainda que os tempos em que estrangeiros levam a riqueza da África para si devem acabar.

A agência Xinhua respondeu aos comentários de Hillary, dizendo que sua viagem à África era uma "trama para semear a discórdia entre a China e a África".

"Se Clinton estava ignorante dos fatos sobre o assunto ou escolheu não considerá-los, a sua insinuação de que a China tem extraído a riqueza da África para si é completamente desprovida de verdade", escreveu em um comentário em inglês.

"Ironicamente, foram as potências coloniais ocidentais que eram exatamente estes chamados estrangeiros, que, nas palavras de Clinton, vieram e extraíram a riqueza da África para si próprios, deixando nada ou muito pouco para trás."

A viagem de Hillary é parcialmente focada em promover laços políticos e de comércio com as nações africanas como uma alternativa à China, cuja influência tem crescido rapidamente à medida que o governo chinês esforça-se para ganhar o acesso aos ricos depósitos de minérios, madeira e petróleo do continente.

O presidente chinês, Hu Jintao, ofereceu no mês passado 20 bilhões de dólares em empréstimos para países africanos nos próximos três anos, alavancando uma relação que tem sido criticada pelo Ocidente e tem dado à China crescente influência no continente rico em recursos naturais.

"Assim como comentaristas por todo o mundo apontaram, a viagem está focada pelo menos em parte em tirar o crédito do engajamento da China com o continente e deter a influência da China lá. Seus comentários traíram a tentativa de colocar uma barreira entre a China e a África para os ganhos egoístas dos EUA", escreveu a agência.

Embora estes comentários não são declarações oficiais, podem ser lidas como uma reflexo do governo chinês que está pensando sobre questões importantes.

 

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