Agência da ONU apela por ajuda na República Centro-Africana

A violência entre comunidades está dividindo a República Centro- Africana, mas o conflito não está recebendo a atenção, ou a ajuda, necessária para salvar um grande número de vidas, disse o chefe da agência da Organização das Nações Unidas para refugiados (Acnur) nesta quarta-feira.

TOM MILES, Reuters

16 de abril de 2014 | 19h14

Quase 200.000 pessoas fugiram do país desde dezembro, e mais 160.000 devem fazer o mesmo neste ano. O Acnur diz que está gastando dinheiro no país em um ritmo três vezes mais rápido do que o fluxo de entrada de fundos, colocando sua missão em risco.

"Na verdade, estamos em apuros", disse a diplomatas o chefe da agência da ONU, António Guterres, ao lançar um apelo por 274 milhões de dólares.

A República Centro-Africana é apenas uma crise entre muitas que precisam de fundos da ONU para atender às necessidades humanitárias no Sudão do Sul, Somália e Iêmen, assim como desastres naturais, como o tufão Haiyan, nas Filipinas, e, acima de tudo, a Síria.

"Obviamente, não há nenhuma forma de conseguirmos manter essa situação até o fim do ano", disse Guterres aos diplomatas. "Em um determinado momento nós estaremos simplesmente quebrados."

O governo da República Centro-Africana foi tomado há um ano pelos rebeldes muçulmanos Seleka que foram confrontados em dezembro por milícias cristãs, desencadeando a anarquia e a limpeza étnica.

"Quando você começa a cortar pessoas em pedaços e assá-las", disse Guterres a repórteres, "não é um Exército contra um Exército, são pessoas fazendo coisas horríveis contra seus vizinhos".

Mas a crise não tem grandes repercussões econômicas ou estratégicas além dos vizinhos imediatos do país, disse ele, por isso recebe pouca atenção da comunidade internacional.

"As pessoas não se sentem ameaçadas. As pessoas se sentem ameaçadas com a Síria, as pessoas se sentem ameaçadas com a Ucrânia e o que poderia acontecer. Mesmo a Somália. Mas em relação às pessoas da República Centro-Africana, elas não se sentem ameaçadas, não sabem onde fica, é muito difícil, elas nunca ouviram falar sobre isso".

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