Gemunu Amarasinghe/AP
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Agência da ONU denuncia prisão de advogado na China

Gao Zhisheng, que havia sido solto, voltou a ser preso, segundo a ONU, que exige sua libertação

REUTERS

23 de dezembro de 2011 | 12h22

PEQUIM - Uma agência de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou nesta sexta-feira, 23, a detenção de um dos advogados de direitos humanos mais conhecidos da China, Gao Zhisheng, instando o governo a libertá-lo. Um tribunal de Pequim enviou Gao de volta à prisão no início deste mês, embora aparentemente ele nunca tenha se livrado do confinamento dissimulado.

"É alarmante que o Dr. Gao continue a ser detido arbitrariamente. Sua detenção ao longo dos anos resultou em várias violações dos direitos humanos, inclusive seu direito fundamental a um julgamento justo", disse em comunicado El Hadji Malick Sow, presidente-relator do Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária. "Eu exorto as autoridades a libertaram o Dr. Gao".

Um defensor ferrenho dos direitos humanos, que abordou várias causas polêmicas do Partido Comunista chinês, Gao foi sentenciado a três anos de prisão em 2006 por "incitar a subversão do estado de poder", uma acusação frequentemente usada para punir críticos do regime unipartidário.

Gao recebeu liberdade condicional por cinco anos, o que oficialmente o poupou de servir a sentença na prisão. Mas o advogado foi detido diversas vezes nesse período. Ele foi tirado da casa de um parente na província de Shaanxi, no norte da China, em fevereiro de 2009 - segundo seus familiares, por agentes de segurança - e ficou desaparecido até o início do ano passado, quando ressurgiu brevemente e fez contatos esporádicos com amigos e repórteres estrangeiros em abril de 2010.

 

Interferência

 

O caso de Gao atraiu atenção internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Liu Weimin, disse a jornalistas em Pequim na sexta-feira que a China não queria "que outros países interferissem em seus assuntos internos ou em sua soberania legal" quando se trata de Gao.

A China lançou em fevereiro uma repressão a possíveis rivais políticos ao Partido Comunista, atualmente no poder, temendo que levantes antiautoritários em países árabes possam inspirar protestos contra o regime unipartidário.

O advogado dos direitos humanos Chen Wei foi condenado a nove anos de prisão por um tribunal no sudoeste da China depois de uma breve audiência na sexta-feira, na qual ele declarou inocência da acusação de subverter o estado de poder. Esse foi o castigo mais duro na repressão à dissidência este ano. 

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