Agência da ONU pede que países recebam refugiados

O dirigente do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Antonio Guterres, pediu hoje que todos os países mantenham abertas suas fronteiras e ofereçam proteção para aqueles que fogem da violência, pois "as crises novas se multiplicam e as anteriores jamais terminam".

AE, Agência Estado

20 de junho de 2011 | 12h31

A declaração foi dada após alguns países europeus, entre eles a Itália, mostrarem-se reticentes em abrir suas portas para pessoas afetadas pela agitação política e a violência no norte da África e no Oriente Médio. Guterres se referiu à "impressão" persistente na Europa de que todas as pessoas desalojadas estão vivendo no continente. Mas, segundo ele, "simplesmente não é certo que os refugiados estejam se mudando em massa para o norte".

Em um relatório divulgado hoje, no Dia Mundial do Refugiado, o Acnur afirmou que os países em desenvolvimento receberam 80% dos 15,4 milhões de refugiados no mundo. Na Líbia, por exemplo, quase 1 milhão de pessoas fugiram para países vizinhos, da Tunísia ao Egito, desde que começou a violência, disse Guterres à imprensa, em Roma. Menos de 2% dos refugiados chegaram à Europa. Hoje também é o 60º aniversário da Convenção de Genebra para a proteção dos civis e prisioneiros em tempo de guerra.

"Apelo a todos os Estados do mundo que mantenham abertas as fronteiras para todos aqueles que buscam proteção e têm o direito a recebê-la", disse. Além disso, Guterres propôs a adoção de um "novo acordo no que se refere a compartilhar a carga e a responsabilidade" com os refugiados. Ele afirmou que os países ricos deveriam oferecer mais apoio às nações em desenvolvimento, pelo peso que recai sobre estas na crise dos refugiados.

Itália

Ontem, Guterres visitou Lampedusa, uma pequena ilha italiana onde chegaram 20 mil pessoas que fugiram da Tunísia e da Líbia. A atriz Angelina Jolie, embaixadora da boa vontade do Acnur, também visitou a ilha. Guterres pediu ao governo italiano que não repatrie pessoas para a Líbia.

O governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi assinou na semana passada um acordo com rebeldes líbios, a fim de conter a chegada de pessoas. O governo de Berlusconi inclui um partido xenofóbico, a Liga do Norte, e o ministro do Interior, Roberto Maroni, que se encarrega da crise dos refugiados, é deste partido. As informações são da Associated Press.

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