Agência da ONU rejeita defesa do Irã para negar inspeção nuclear

A agência de vigilância nuclear dasNações Unidas rejeitou nesta segunda-feira o argumento iranianode que uma investigação de seu programa nuclear ameaçaria suasegurança nacional, dizendo a Teerã que garantiria aconfidencialidade do assunto se o país cooperar. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acreditaque o Irã retém informações necessárias para explicar "sérios"relatórios de serviços de inteligência de dez países de queTeerã desenvolve projetos para fabricar uma arma nuclear. "Não buscamos nos imiscuir nas atividades militaresconvencionais ou relacionadas a mísseis do Irã. Nosso foco sãomaterial e atividades nucleares", disse Mohamed ElBaradei,diretor-geral da AIEA. "Entretanto, precisamos utilizar toda informação relevantepara confirmar que nenhum material nuclear está sendo usadopara armas nucleares", acrescentou ele em discurso no início deum encontro do painel de dirigentes da agência em Viena. Um relatório de 15 de setembro detalhou a não-cooperaçãoiraniana em relação aos pedidos de documentos e acesso àsinstalações, o que justificaria a rejeição do Irã às alegações.Autoridades da ONU disseram que a AIEA chegou a um "impasse"com o país. O material de inteligência sugere que o Irã alinhouprojetos de processamento de urânio, testou explosivos emgrandes altitudes e modificou o cone de um míssil de longoalcance Shahab-3 para receber uma ogiva nuclear. O Irã afirma que as informações foram forjadas e que a AIEAquer visitar instalações militares convencionais a que qualquernação impediria acesso por razões de segurança. "SÉRIAS PREOCUPAÇÕES" ElBaradei disse estar confiante de que se pode encontraruma maneira de deixar a agência trabalhar respeitando "odireito legítimo do Irã de proteger a confidencialidade deinformações e atividades delicadas". "Infelizmente a agência não tem sido capaz de esclarecer aspossíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano.Isto causa sérias preocupações." Os EUA e seus aliados europeus dizem que o Irã ganha tempocom os inspetores da ONU enquanto segue adiante com um programade enriquecimento de combustível nuclear. O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, dissenão haver evidência de qualquer desvio de material ou atividadenuclear para o que classificou como "objetivos proibidos". "Temos que interromper este processo, porque está colocandoa credibilidade da AIEA em sérios riscos", disse ele arepórteres em Viena. Um diplomata ocidental disse que as exigências do Irã sãouma tentativa de desviar a atenção do "verdadeiro problema"-- a"incapacidade de cooperar" com a AIEA. Atualmente o Irã possui quatro mil centrífugas refinandourânio, com mais duas mil em instalação, diz o relatório daagência da ONU. Analistas norte-americanos disseram que o Irãpode se tornar capaz de produzir suficiente combustível parauma arma nuclear nos próximos dois anos.

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