SAUL LOEB / AFP
SAUL LOEB / AFP

Agência de avião dos EUA restringe voos no Irã e Iraque; Casa Branca aumenta segurança

Ataque também fez com que o entorno da Casa Branca, tradicionalmente já bastante vigiado pelo serviço secreto americano, tivesse a segurança reforçada

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 23h30
Atualizado 16 de janeiro de 2020 | 15h11

Como reação ao disparo de mísseis a bases militares iraquianas com soldados americanos, os Estados Unidos anunciaram a restrição de voos na região. A agência federal de aviação dos EUA, FAA (na sigla em inglês), proibiu na noite desta terça-feira, 7, que aviões civis americanos operem no espaço aéreo do Iraque, Irã e na região do Golfo Pérsico e Golfo de Omã.

“A FAA vai continuar a monitorar a os acontecimentos no Oriente Médio”, informou a agência, ao impor a restrição. A medida foi a primeira reação concreta tomada pelos EUA após ao menos 12 mísseis, segundo o Pentágono, terem sido disparados pelo Irã contra bases com soldados americanos e aliados no Iraque em retaliação ao ataque que matou o general iraniano Qassim Suleimani.

O ataque também fez com que o entorno da Casa Branca, tradicionalmente já bastante vigiado pelo serviço secreto americano, tivesse a segurança reforçada. Segundo a rede de TV CNN, uma autoridade do governo afirmou que a segurança nos arredores da residência presidencial foi ampliada.

Mais cedo, a FAA havia informado que estava monitorando de perto os eventos no Oriente Médio e coordenando ações para garantir segurança na aviação com as companhias aéreas dos Estados Unidos e autoridades estrangeiras. Várias companhias aéreas tinham voos sobre partes do Iraque e do Irã, de acordo com dados do FlightRadar24.

Ameaças a civis americanos

Em 2018, as transportadoras americanas haviam sido proibidas de voar a altitudes inferiores a 26 mil pés sobre o Iraque, sob orientação da FAA, em razão de preocupações constantes com ameaças a civis dos Estados Unidos em todo o país. 

As companhias também estavam proibidas de voar em uma área do espaço aéreo iraniano acima do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã desde que o Irã derrubou um drone americano de alta altitude em junho passado. Atualmente, nenhuma das principais companhias aéreas dos EUA sobrevoa o Irã.

A Singapore Airlines disse após o ataque às bases americanas no Iraque que todos os seus vôos seriam desviados do espaço aéreo iraniano.

Uma equipe de aviação internacional foi ativada para apoiar a "coordenação e comunicação eficazes" entre companhias aéreas e países, à medida que as tensões aumentaram no Oriente Médio.

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As companhias aéreas e a agência de aviação das Nações Unidas começaram a monitorar o espaço aéreo estratégico sobre o Irã e o Iraque. Com algumas transportadoras comerciais ainda atendendo a esses países e outras sobrevoando seu espaço aéreo, a Associação Internacional de Transporte Aéreo também emitiu uma declaração lembrando os países de sua obrigação de comunicar riscos potenciais à aviação civil.

"É fundamental que os estados cumpram essa obrigação, à medida que as tensões no Oriente Médio aumentam", disse o grupo, dias após o assassinato de Suleimani na sexta-feira, que mergulhou a região em uma nova crise.

Na segunda-feira, a Alemanha publicou um novo alerta para o Iraque, indicando áreas de preocupação com sobrevôo do tráfego, de acordo com um relatório publicado pelo site OPSGROUP.

A equipe de coordenação operada pela IATA e pela Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) foi ativada como uma "medida de precaução padrão", no caso de medidas de contingência serem exigidas pelas companhias aéreas, informou a IATA em comunicado à agência Reuters.

A equipe reúne companhias aéreas, reguladores e provedores de serviços de navegação aérea para garantir que os riscos potenciais à aviação sejam compartilhados rapidamente, disse uma fonte do setor familiarizada com o grupo.

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"Todo mundo está pedindo contenção", disse a fonte, que falou sob condição de anonimato por causa da sensibilidade do assunto.

O espaço aéreo controlado pelo Irã e pelo Iraque é visto como estratégico para a aviação comercial no Oriente Médio. Se houvesse a necessidade de desligar o espaço aéreo, as transportadoras teriam de ser redirecionadas, o que levaria a maiores congestionamentos e custos de combustível, disse a fonte.

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