Abdulmonam Eassa/AFP Photo
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Agência de fiscalização investiga supostos ataques com gás cloro em Ghouta Oriental

Autoridades de saúde locais disseram que um bombardeio no fim de semana matou uma criança e provocou sintomas indicadores de exposição ao composto

O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 10h53

AMSTERDÃ - A agência mundial de controle de armas químicas está investigando ataques recentes na região síria sitiada de Ghouta Oriental, controlada por rebeldes, para determinar se munições proibidas foram usadas.

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Sediada em Haia, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) iniciou no último domingo, 25, uma investigação sobre relatos de uso recorrente de bombas com gás cloro neste mês no distrito próximo da capital da Síria, disseram fontes diplomáticas à Reuters.

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Neste mês, líderes políticos de França, Estados Unidos e Reino Unido disseram que apoiarão ações militares pontuais contra Damasco se houver provas de que forças sob o comando do presidente sírio, Bashar al-Assad, usaram armas químicas.

A investigação surge logo depois de a Rússia ter ordenado a criação de um corredor humanitário e de uma trégua diária de cinco horas para permitir que os moradores deixem Ghouta Oriental, onde 400 mil pessoas estão sujeitas a um cerco e bombardeios.

Entre os ataques que a equipe investigativa da Opaq examinará está um realizado no domingo que autoridades de saúde locais disseram ter matado uma criança e provocado sintomas indicadores de exposição ao gás cloro, segundo as fontes. As fontes falaram sob condição de anonimato por não terem permissão de debater a operação publicamente.

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O uso de gás cloro como arma química foi proibido pela Convenção de Armas químicas de 1997. Se inalado, ele se transforma em ácido clorídrico nos pulmões, e o acúmulo de fluidos pode sufocar as vítimas.

A missão mais recente da Opaq está tentando determinar se armas químicas foram usadas, violando a convenção internacional de armas que a Síria assinou em 2013 depois que centenas de pessoas morreram em um grande ataque com gás sarin em Ghouta Oriental. A Opaq, porém, não aponta culpados.

Sua equipe não pretende viajar a Ghouta Oriental por causa dos temores com a segurança - duas visitas anteriores feitas por inspetores em 2013 e 2014 foram alvos de ciladas -, mas reunirá testemunhos, provas fotográficas e de vídeo e entrevistas com especialistas médicos.

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O uso de armas químicas se tornou sistemático na guerra síria de sete anos, mas diferenças políticas entre potências estrangeiras e a Rússia paralisaram a Opaq e a Organização das Nações Unidas (ONU), impedindo ambas de agir contra violações da lei internacional. /Reuters

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